Em leilão sem concorrência realizado nesta segunda-feira de dezembro, 14, a empresa de telecomunicações Oi vendeu sua Unidade Produtiva Isolada (UPI) de ativos móveis para o consórcio formado por Tim (TIMP3), Vivo (VIVT3) e Claro pelo valor de R$ 16,5 bilhões. A operação ainda precisa passar por aprovação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Com isso, a Oi vai sair do mercado brasileiro de telefonia móvel, o que concentrará fortemente o setor no trio, que são as principais operadoras do país. Conforme os documentos divulgados, a Tim receberá a maior parte dos clientes.

Segundo o fato relevante divulgado pela Oi, a proposta do grupo formado por Tim, Telefônica (dona da Vivo) e Claro foi a única manifestação de interesse na UPI de ativos móveis.

Sobre a operação

Com a oferta, a Oi vai transferir para as compradoras sua rede de clientes, ativos de radiofrequência e direitos, além de ativos de infraestrutura de acesso móvel.

Só a Tim ficará com 14,5 milhões de clientes vindos da Oi, o que representa a 40% da base total de clientes da UPI Ativos Móveis. A Claro ficará com 32% dos clientes e a Telefônica/Vivo receberá 10,5 milhões de novos clientes para sua estrutura.

Do total de R$ 16,5 bilhões da venda, "R$ 756 milhões referem-se a serviços de transição a serem prestados por até 12 meses pela Oi às Proponentes, acrescido do compromisso de celebração de contratos de longo prazo de prestação de serviços de capacidade de transmissão junto à Oi, na modalidade take or pay, cujo valor presente líquido (VPL), calculado para fins e na forma prevista no Aditamento ao PRJ, é de R$ 819 milhões, valores que serão pagos em dinheiro", disse a Oi.

Por sua vez, a Tim disse por documento que pagará 44% do valor total da operação, o que dá R$ 7,3 bilhões. Já a Telefônica e a Claro serão responsáveis pelo pagamento de R$ 5,5 bilhões e R$ 3,7 bilhões respectivamente.

A ação da ex-operadora, OIBR3, fechou o dia da realização do leilão (14) com queda de 6,78% aos R$ 2,20. Já por volta das 11h12min de 15 de dezembro, as ações mostravam alta de 2,73%, cotadas a R$ 2,26.

Foi o segundo leilão

A venda dos ativos móveis faz parte do plano de recuperação judicial da Oi, que começou em 2016, sendo o segundo leilão feito pela empresa este ano.

O primeiro leilão feito pela Oi, também sem concorrência, foi realizado em 26 de novembro com a venda da unidade de torres por R$ 1,067 bilhão para a Highline do Brasil; quando também foi vendida a unidade de data centers que custou R$ 325 milhões para a Titan Venture Capital.

Além disso, a Oi ainda pretende vender parcialmente a unidade de fibra e infraestrutra InfraCo, por R$ 6,5 bilhões. Os recursos levantados nos leilões serão destinados à quitação das dívidas da operadora, que somavam R$ 21.243 milhões no terceiro trimestre de 2020.