A mineradora Vale (VALE3) voltou a se manifestar, nessa quinta-feira, 10 de junho, a respeito das atividades paralisadas em em áreas próximas à barragem Xingu da Mina Alegria, localizada no Complexo Mariana em Minas Gerais. Essa paralisação foi determinada na sexta-feira, dia 4 pela Superintendência Regional do Trabalho.

Na nova nota publicada a companhia destaca que a paralisação não se deu por risco de rompimento dela, como chegou a ser especulado na mídia. "Não houve alteração nas condições ou nível de segurança da barragem, que permanece em nível 2", diz o documento.

Ele ressalta ainda que apenas foram suspensos o acesso dos trabalhadores e a circulação de veículos na zona da inundação da barragem Xingu, conforme foi solicitado pela SRT. Estão sendo permitidos apenas os acessos imprescindíveis para estabilização da estrutura e tudo isso com um "rigoroso protocolo de segurança".

O motivo que levou a essa paralisação, entretanto, ainda não foi divulgado. A Vale diz apenas que a barragem Xingu é monitorada e inspecionada continuamente e que ela está no plano de descaracterização de barragens da companhia. Também diz que está colaborando com a SRT e adotando medidas para " continuar a garantir a segurança dos trabalhadores, de modo a permitir a retomada das atividades".

Impactos

Na nota divulgada anteriormente a Vale apontou que haveria uma "pausa na circulação de trens no Ramal Fábrica Nova, da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM)" e que isso causaria um impacto significativo no escoamento da produção de minérios de ferro.

As principais impactadas são a própria Mina Alegria, que teve alguns acessos interiores interditados, o que vem causando uma redução de 7,5 mil toneladas de finos de minério de ferro por dia por dia de paralisação.

Além dela, a Usina Timbopeba também é impactada e causa uma redução ainda maior na produção da companhia, já que dela saem cerca de 33 mil toneladas de finos de minério de ferro por dia.

Mariana e Brumadinho

Em ambas as notas a Vale fez questão de destacar que a estrutura não corre riscos bem como a comunidade do entorno e os trabalhadores. Essa preocupação com essas informações são um reflexo de acontecimentos dos últimos anos.

Em novembro de 2015 ocorreu o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, fato que causou a morte de 19 pessoas e vários problemas ambientais especialmente na bacia do Rio Doce.

Outro fato que vêm facilmente à memória é a tragédia de Brumadinho (MG) ocorrida em 2019 deixando 270 mortes quando cerca de 14 milhões de toneladas de lama e rejeitos de minério de ferro desceram em uma enxurrada sobre a cidade. A Samarco, um subsidiária da Vale, era a responsável por ambas as barragens quando os fatos se deram.

Vale é condenada a pagar R$ 1 milhão por trabalhador

Inclusive, nessa quarta-feira, dia 9, a Vale também foi condenada a pagar uma indenização de R$ 1 milhão por danos morais por cada trabalhador morto no rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho.

A decisão foi tomada pela juíza titular da 5ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho de Betim (MG), Viviane Célia Ferreira Ramos Correa. A indenização será paga aos espólios e herdeiros e abrange apenas os trabalhadores diretos da mineradora vitimados no acidente.

Ao total, como já dito, 270 pessoas morreram em razão do rompimento da barragem. Dessas, 137 eram funcionários, de acordo com o processo. Isso resulta em um total de R$ 137 milhões a serem pago em indenizações.