Em leilão sem concorrência realizado em dezembro de 2020, a empresa Oi (OIBR3) vendeu sua Unidade Produtiva Isolada (UPI) de ativos móveis para o consórcio formado por Tim (TIMP3), Vivo (VIVT4) e Claro por R$ 16,5 bilhões, segundo o documento divulgado.

A operação ainda precisa passar por aprovação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Com isso, a Oi vai sair do mercado brasileiro de telefonia móvel, o que concentrará fortemente o setor no trio, que são as principais operadoras do país. Conforme os documentos divulgados, a Tim receberá a maior parte dos clientes.

Segundo o fato relevante divulgado pela Oi, a proposta do grupo formado por Tim, Telefônica (dona da Vivo) e Claro foi a única manifestação de interesse na UPI de ativos móveis.

A venda da Oi Móvel

Com a oferta, a Oi vai transferir para as compradoras sua rede de clientes, ativos de radiofrequência e direitos, além de ativos de infraestrutura de acesso móvel.

Só a Tim ficará com 14,5 milhões de clientes vindos da Oi Móvel, o que representa a 40% da base total de clientes da UPI Ativos Móveis. A Claro ficará com 32% dos clientes e a Telefônica/Vivo receberá 10,5 milhões de novos clientes para sua estrutura.

Do total de R$ 16,5 bilhões da venda, "R$ 756 milhões referem-se a serviços de transição a serem prestados por até 12 meses pela Oi às Proponentes, acrescido do compromisso de celebração de contratos de longo prazo de prestação de serviços de capacidade de transmissão junto à Oi, na modalidade take or pay, cujo valor presente líquido (VPL), calculado para fins e na forma prevista no Aditamento ao PRJ, é de R$ 819 milhões, valores que serão pagos em dinheiro", disse a Oi.

Por sua vez, a Tim disse por documento que pagará 44% do valor total da operação, o que dá R$ 7,3 bilhões. Já a Telefônica e a Claro serão responsáveis pelo pagamento de R$ 5,5 bilhões e R$ 3,7 bilhões respectivamente.

A venda dos ativos móveis faz parte do plano de recuperação judicial da Oi e foi uma das alienações feitas em 2020; veja abaixo quais foram as outras e entenda a proposta feita por BTG Pactual e Globenet pela InfraCo:

Highline do Brasil compra a unidade de torres da Oi

Sem concorrência, a Oi realizou em 26 de novembro de 2020 um leilão para fechar a venda de sua Unidade de Torres por uma quantia de R$ 1,067 bilhão para a Highline do Brasil, que já adiantou R$ 861,7 milhões do pagamento.

Oi vende UPI Data Center para Titan

Também em 26 de novembro de 2020, em leilão foi vendida a Unidade Data Center que custou R$ 325 milhões para a Titan Venture Capital. Do total, R$ 200 milhões já foram pagos à vista, de uma só vez. O valor restante de R$ 75 milhões foi parcelado.

"A conclusão da Operação representa a implementação de mais uma etapa do Plano de Recuperação Judicial e do Plano Estratégico de Transformação da Oi, visando assegurar à Companhia maior flexibilidade e eficiência financeiras e sustentabilidade de longo prazo, com o seu reposicionamento no mercado e sua conversão na maior provedora de infraestrutura de telecomunicações do país, a partir da massificação da fibra ótica e internet de alta velocidade, do provimento de soluções para empresas e da preparação para a evolução para o 5G, voltada para negócios de maior valor agregado e com tendência de crescimento e visão de futuro", disse a Oi sobre as vendas da UPI Data Center e da Unidades de Torres.

Oi aceita proposta do BTG para venda da Unidade de Fibra

Após transferir seus ativos móveis ao consórcio de Tim, Claro e Vivo, bem como depois de alienar suas unidades de torres e data centers, a Oi se prepara agora para se desfazer de parte de sua Unidade de Fibra Ótica, a InfraCo.

No início de 2021, o banco de investimentos BTG Pactual e a Globenet Cabos Submarinos apresentaram uma proposta para a aquisição da InfraCo. Em 4 de fevereiro deste ano, a Oi fechou um Acordo de Exclusividade com a dupla interessada na rede de fibra, sendo que o próximo passo é a marcação da data do leilão.

Considerando todas as parcelas de pagamento previstas no acordo, a proposta feita pelo BTG Pactual e Globenet pela rede de fibra da Oi é de R$ 12,9 bilhões. Se concluída, a operação deve turbinar o processo de recuperação da Oi.

- Veja as condições da proposta na íntegra.