A energia elétrica é o item que mais vem pesando na inflação do país em 2021. Só no mês de maio, a alta foi de 5,37%, o que correspondeu a 0,23 ponto percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês. E no entanto, a perspectiva é de que ela venha a aumentar ainda mais.

Isso porque se no mês de maio entrou em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos ao mês, em junho a tarifa passou ao patamar 2, que adicionava R$ 6,243 na conta para cada 100 kWh. Porém, as mudanças não param por aí.

Na manhã do dia 29 de junho, a Aneel definiu um reajuste de 52% na tarifa dessa bandeira vermelha 2. Assim, passam a ser cobrados R$ 9,49 a mais a cada 100 kWh. E para o mês de agosto de 2021, novamente a Aneel decidiu que vai vigorar a bandeira vermelha patamar 2.

Mas afinal, por que isso está acontecendo? E como funcionam essa bandeiras tarifárias? Vamos explicar melhor.

Reservatórios baixos

A principal causa de todos esses aumentos é da crise hidrica que estamos vivendo. Os reservatórios das usinas hidrelétricas do país estão tão baixos que, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Brasil passa nesse momento pela pior estiagem dos últimos 91 anos.

Isso faz com que seja necessário o acionamento das usinas termelétricas para suprir a queda de oferta em relação à demanda, o que deixa o custo de geração de energia mais alto. Esse custo é repassado para o consumidor final por meio do aumento da bandeira tarifária.

Estima-se que até abril de 2021, o custo do acionamento de termelétricas já tenha custado aos consumidores cerca de R$ 4,3 bilhões e que até o fim do ano esse valor chegue aos R$ 9 bilhões.

Bandeiras tarifárias: o que são?

As bandeiras tarifárias são um sistema que tem duas funções: uma delas é a de repassar os custos gastos com a geração de energia, como já foi dito, e a outra é estimular a diminuição do consumo.

Sim, a ideia é tornar a energia mais cara para que a população gaste menos e assim exija menos do sistema já em colapso.

Existem quatro níveis de bandeiras. Abaixo vamos mostrar cada uma delas e suas principais características:

  • Bandeira verde: não gera cobrança extra no consumo de energia, permanece ativa quando há registro de chuva dentro da normalidade e os reservatórios estão com boa quantidade de água, funcionando normalmente.
  • Bandeira amarela: é acionada quando as condições climáticas ficam menos favoráveis e começa-se a registrar uma queda nos níveis dos reservatórios. Gera tarifa extra de R$ 1,343 para cada 100 kWh consumidos no mês.
  • Bandeira vermelha, patamar 1: quando as térmicas são ligadas entra-se na bandeira vermelha. Isso significa que os reservatórios já estão bastante baixos. A cobrança extra é de R$ 4,169 a cada 100 kWh.
  • Bandeira vermelha, patamar 2: quando chega a esse ponto (como é o caso hoje no Brasil), a situação é mais preocupante do que nunca pois indica que os reservatórios estão muito baixos e as térmicas sendo acionadas muito além do que o esperado. O adicional sobe para R$ 6,243 na conta para cada 100 kWh.

O que vêm causando essa crise?

A causa da crise não é nenhuma novidade. Tratam-se de mudanças climáticas que vêm sendo previstas por cientistas e especialistas há algumas décadas. A degradação ambiental está entre os fatores que diminuem a quantidade de chuva e causam esses problemas energéticos.

Os recentes aumentos nos níveis de desmatamento, especialmente da Amazônia podem estar relacionados. Assim como o aquecimento global e o fenômeno La Niña que diminui a temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico e gera uma série de mudanças nos padrões de precipitação e temperatura no planeta.

Difícil pagar as contas em dia

E somada à crise hídrica, não podemos esquecer que o Brasil vive um momento de crise econômica agravada pela pandemia. Tudo isso junto, vem dificultado o pagamento de contas de serviços essenciais, como água, luz e gás. E segundo informações divulgadas nessa semana pela Serasa, já são quase 37 milhões de dívidas desse tipo em atraso, o que representa 22,3% do total de débitos dos brasileiros.

Esse setor só perde para o bancário em termos de participação no endividamento dos 62,56 milhões de brasileiros inadimplentes. Os bancos são os credores de quase 30% das dívidas em atraso. Em terceiro lugar está o varejo, respondendo por 13% do endividamento.

E algumas regiões sofrem mais do que outras para conseguir pagar a conta de energia elétrica, por exemplo. É o caso das regiões Norte e Nordeste onde o nível de endividamento em contas básicas está em 29,7% e 25,4% respectivamente.

A pesquisa intitulada "O Bolso dos Brasileiros", realizada pela Serasa, aponta ainda que as contas básicas são as prioritárias na agenda de pagamentos dos brasileiros que estão com dívidas em atraso. Porém, no ranking de contas em dia, serviços de assinatura, telefonia, cartão de crédito e plano de saúde aparecem na frente, o que pode indicar uma relação entre o nível de renda e a capacidade de reação das famílias diante da crise, já que os serviços com menos atrasos estão limitados a famílias de maior renda.

E com os aumentos nas tarifas das bandeiras a situação tende a se agravar.

E agora, o que fazer?

A orientação é: consuma menos energia! Faça isso pelo planeta e pelo seu bolso.

E pensando em te ajudar nessa missão que é de todos os brasileiros, reunimos algumas dicas que podem te ajudar a consumir menos. Veja abaixo:

Chuveiro elétrico: Esse é um dos vilões do consumo de energia, principalmente no inverno quando tomamos banhos mais quentes. Então agora, mais do que nunca é tempo de agilizar no banho e, se possível, desligar o chuveiro enquanto utiliza shampoos, sabonetes, etc.

Aquecedores: Nessa época de frio os aquecedores também costumam ser tirados do armário, especialmente nos estados do Sul. Porém, os aquecedores são grandes consumidores de energia também. Procure ligá-los apenas quando muito necessário e procurar formas alternativas para aquecer os ambientes.

Ar-condicionado: O mesmo vale para o ar-condicionado. Aliás, os especialistas indicam que, quem puder, deve trocar o seu aparelho por um que tenha a funcionalidade "Inverter". Eles são tidos como os LEDs do ares-condicionados.

Para quem vive em lugares onde não faz tanto frio, uma dica é a de nunca colocar o aparelho para funcionar abaixo de 23 graus. Se você mantir nessa faixa de temperatura, ele será mais econômico. Ah, e não esqueça de manter o filtro do aparelho sempre limpo.

Geladeira: outra grande consumidora. Evite deixá-la próximo de equipamentos que aqueçam, como o fogão, ou mesmo em locais que a deixem exposta a muita luz solar direta, pois isso faz com que ela tenha que trabalhar um pouco mais do que o normal para se manter resfriada. Pelo mesmo motivo também evite colocar panelas ou potes quentes dentro dela.

Além disso, se você tem uma geladeira com mais de 10 anos, os especialistas também orientam que se você puder, troque por um equipamento mais novo e mais eficiente. Também sempre deixe-a um pouco afastada da parede, pois as geladeiras precisam de um pouco de espaço para "suar".

Outra dica ainda é a de verificar a vedação. A borracha que fecha a geladeira tem um tempo de vida útil e se ela para de vedar corretamente, entra mais ar quente dentro dela e sair ar frio, fazendo com que ela também trabalhe muito mais para se manter na temperatura adequada.

E por falar em temperatura, sempre verifique o termostato. No inverno ele não precisa estar ajustado em uma temperatura tão mais baixa ou em funcionamento máximo, especialmente se você mora num lugar frio.

Tire os aparelhos eletrônicos da tomada: um hábito simples que você pode adotar no dia a dia é sempre desligar os aparelhos das tomadas, pois aquelas luzinhas que ficam ligadas quando eles estão em standby ou as luzes de relógio (como as do microondas, por exemplo), também consomem energia desnecessariamente.

Máquina de lavar: evite fazer várias pequenas lavagens. Acumule um pouco mais de roupa e lave na capacidade máxima da máquina, se possível, tudo de uma vez. Assim você também consumirá menos energia.

Lâmpadas: as lâmpadas de LED já são muito comuns no mercado. Se possível, troque todas as lâmpadas da sua residência por elas, pois elas consomem muito (mas muito mesmo) menos energia do que as tradicionais.