A empresa brasileira de tecnologia na área de câmeras e equipamentos de segurança eletrônica e comunicação Intelbras protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no dia 26 de novembro o pedido para abrir capital na B3. A oferta pública inicial de ações (IPO) será agora analisada pela CVM, conforme o prospecto enviado pela empresa. A oferta será coordenada pelo BTG Pactual, Citi Bank, Itaú BBA e Santander.

A oferta inicial será primária, onde recursos vão para o caixa da empresa e também secundária, quando os donos da companhia vendem parte das suas fatias. Ainda não há faixa de preço definida, e a fixação e justificativa do valor das ações depende da aprovação e homologação do aumento de capital, a serem aprovados em Reunião do Conselho de Administração da Companhia, entre a conclusão do Procedimento de Bookbuilding e a concessão dos registros da Oferta pela CVM.

A expectativa é de que a faixa de preço seja definida ainda em dezembro, mas as reservas das novas ações e a negociação ocorram apenas em 2021.

Intelbras pede IPO com números sólidos

Segundo a empresa, nos últimos anos a margem EBITDA (que é o lucro antes dos juros, impostos sobre a renda, incluindo contribuição social sobre o lucro líquido, depreciação e amortização) vem se mantendo entre 11,9% e 17,1%.

Segundo os números atualizados da empresa e publicados no prospecto, em 30 de setembro de 2020 o EBITDA e a Margem EBITDA foram de R$ 250,8 milhões e 17,1%, bem acima do resultado dos últimos anos. Veja:

  • - Exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2019 - EBITDA de R$ 202,6 milhões e Margem EBITDA de 11,9%;
  • - Exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2018 - EBITDA de R$ 203,5 milhões e margem de 14,1%;
  • - Exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2017 - EBITDA de R$ 194,5 milhões e margem de 13,0%.

Até 30 de setembro de 2020, a empresa divulgou receita líquida de R$ 1,46 bilhão, aumento de 20,2% quando comparado ao período até 30 de setembro de 2019. Já o lucro líquido até o 3T de 2020 foi de R$ 121 milhões.

Números da Intelbras dos últimos anos, que fará IPO em 2021
Números da Intelbras dos últimos anos, que fará IPO em 2021

- Veja o prospecto completo do IPO da Intelbras

Sobre a Intelbras

A Intelbras foi fundada em 1976 em Santa Catarina e está presente já em 98% dos municípios com potencial de consumo eletrônico no Brasil com uma rede de 370 grandes distribuidores e perto de 80 mil revendedores. Além disso, também exporta para outros países.

A empresa pertence à família Freitas, do fundador Diomício Freitas, que detém hoje 89,1% da companhia por meio de Jorge Luiz Savi de Freitas, Jane Savi de Freitas, Janete Savi de Freitas e Jadna Savi de Freitas. A chinesa Dahua é outra investidora no negócio e tem outros 10%.

Os recursos da oferta primária serão usados para crescimento inorgânico; fortalecimento de caixa; expansão da capacidade produtiva; expansão do serviço de locação de produtos (hardware as a service); e expansão de canais internos verticais e de varejo.

Concorrentes

Ainda no prospecto, a empresa frisou que mesmo com a recente crise econômica no País, se manteve competitiva e com margens sustentáveis. E seguiu, dizendo que "as pequenas e médias empresas continuam enfrentando dificuldades relacionadas à abastecimento e crédito para financiamento de seus clientes, criando um cenário onde players com escala conseguem se solidificar como líderes de mercado. O mercado de varejo de bens de consumo duráveis em que atuamos é disperso, e deve ser analisado por cada categoria de produto que produzimos e comercializamos. Assim, nossos concorrentes diretos variam consideravelmente, com poucos atuando em mais de uma categoria de produto".

Os concorrentes da Intelbras segundo dados de market share disponibilizados pela
Receita Federal, são:

  • Hikvision, Dahua, e Hilook em segurança eletrônica (Intelbras com 46,4% de market share);
  • HDL, Nice Brasil, e Yale em controles de acesso (Intelbras com 22,5% de market share)
  • TP-LINK, Ubiquiti, e Furukawa em redes (Intelbras com 23,7% de market share)
  • Panasonic, Motorola, e Grandstream em comunicação (Intelbras com 33,3% de market share)
  • Grupo Le Grand, Schneider Eletric, e Multilaser em energia (Intelbras com 9,4% de market share)
  • Aldo, WEG, e Renovigi em energia solar (Intelbras com 1,4% de market share).