As commodities movimentam o comércio e o mercado financeiro em praticamente todos os países, mas principalmente naqueles que são agrícolas e minerais. E nas últimas semanas, o Brasil tem surfado na mais nova onda delas e, em função disso, registrado queda do dólar, alta na bolsa e superávits recordes na balança comercial.

Mas afinal, o que são as commodities e porque elas têm esse efeito na economia? Por que elas afetam a bolsa brasileira? A gente vai explicar isso tudo nesse artigo. Acompanhe.

O conceito

O conceito de commodity mudou ao longo do tempo, ganhando elementos. No sentido original, a palavra tem a raiz common (comum em português), que designa produtos com características semelhantes em qualquer lugar do planeta. Essa acepção engloba produtos agropecuários e minerais.

Com a evolução do comércio internacional e do mercado financeiro, a definição ganhou sentidos adicionais. Além de padrões mundiais similares, as commodities precisam ter:

  • produção em larga escala;
  • capacidade de estocagem;
  • baixa industrialização;
  • e alto nível de comercialização.

Essas características diferenciam, por exemplo, alimentos perecíveis, que não podem ser estocados, de safras de grãos que podem ser embarcadas para outro lado do planeta. As exportações precisam atingir um volume considerável para que o produto seja comercializado em larga escala. Dessa forma, as commodities podem ser definidas como bens primários com cotação internacional, como petróleo, soja, minério de ferro e café.

Preço das commodities

Os preços internacionais são definidos nas bolsas de mercadorias e futuros. A maior bolsa do planeta desse tipo fica em Chicago, nos Estados Unidos (seu nome é Chicago Mercantile Exchange), onde são definidas as cotações dos contratos futuros e de opções da maioria das commodities.

No Brasil, a antiga Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) se fundiu com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2008. Em 2017, a BM&FBovespa mudou de nome e passou a chamar-se B3 (Brasil, Bolsa, Balcão).

Nos contratos futuros, produtores buscam se proteger de variações bruscas de preços, e especuladores querem comprar barato para vender caro. No mercado de opções, os contratos perdem a validade ("viram pó", no jargão financeiro) em algumas situações.

Tipos de commodities

Os mais diversos tipos de mercadoria e matéria-prima são commodities e, por isso, elas são divididas em quatro grandes grupos. O número de itens que entra em cada um é muito maior, mas os listados abaixo são os principais.

Commodities agrícolas

Elas são, essencialmente, matérias-primas do agronegócio e produtos agrícolas:

  • Soja;
  • Café;
  • Laranja;
  • Milho;
  • Trigo;
  • Açúcar;
  • Algodão.

Commodities minerais

Como o próprio nome sugere, entram neste grupo minérios, minerais, metais e recursos ligados à energia. As mais conhecidas são:

  • Petróleo;
  • Gás natural;
  • Etanol;
  • Ouro.

Commodities ambientais

As commodities ambientais são recursos naturais que produzem outros bens e são importantes para a indústria:

  • Madeira;
  • Água;
  • Geração de energia.

Commodities financeiras

Sim, financeiras: moedas e títulos públicos podem ser considerados commodities. São algumas delas:

  • Dólar;
  • Euro;
  • Real;
  • Títulos do Tesouro Direto.

Commodities brasileiras: quais são?

O Brasil se destaca na produção de commodities agrícolas, ficando atrás somente dos Estados Unidos como uma superpotência na produção de alimentos. Café, soja, milho, cacau e laranja são as principais commodities brasileiras do tipo agrícola.

Mas o Brasil também é um grande nome na produção do petróleo, minério de ferro - é o segundo maior produtor mundial do mineral - e carnes (aqui chamada de boi gordo).

A comercialização dessas commodities é fundamental para a economia brasileira. Em 2018, sete commodities responderam por metade do valor de todas as exportações brasileiras, representando US$ 120 bilhões para a economia.

Como os demais países exportadores de commodities, entretanto, o Brasil fica exposto ao risco da variação de preços desses produtos, atrelado a sua demanda mundial. Uma crise econômica que diminua a demanda por essas commodities, portanto, pode afetar a economia brasileira.

"Boom" das commodities

Quem acompanha o mercado de ações deve ter ouvido essa expressão - "boom" das commodities - nas últimas semanas porque ela tem sido muito usada para explicar um super aumento dos preços de alguns desses produtos.

Especialistas apontam que isso aconteceu, em parte, por causa da retomada das economias norte-americana e chinesa. E como o Brasil possui uma relação com o mercado, esse cenário vem impulsionando a Bolsa do Brasil, mesmo que a economia daqui ainda não tenha voltado totalmente em função da pandemia.

Ações como as da Vale (VALE3) - que é uma mineradora -, por exemplo, vêm subindo constantemente em função disso (foram 49,32% de alta nos últimos 6 meses). A Petrobrás (ligada ao Petróleo) também sente os efeitos. A China e os Estados Unidos estão comprando muito minério e petróleo, entre outras commodities, porque elas são as matérias-primas, os ingredientes básicos para essa retomada.

E a expectativa é de que essa valorização das commodities ainda siga por um tempo, ainda que a grande explosão já tenha acontecido, porque ainda está acontecendo um aumento da vacinação em outras partes do mundo euma gradual diminuição das restrições.