O preço dos combustíveis não está barato, todos nós sabemos isso. Entre os meses de maio de 2020 e setembro de 2021, a alta registrada foi de 57,33% apenas na gasolina. E uma das principais características da inflação, além da elevação dos preços, é a redução do poder de compra dos consumidores.

Por outro lado, o salário mínimo brasileiro não vem subindo significativamente. Nos últimos anos, os reajustes feitos nem sempre cobriram a inflação registrada no período. E isso contribui ainda mais para a diminuição do poder de compra.

Diante dessa situação vale fazer uma análise: quantos litros de gasolina é possível comprar com o atual salário mínimo? E como era isso há alguns anos? Será que era possível comprar mais gasolina do que hoje? Vamos ver.

O preço da gasolina hoje x salário mínimo

Atualmente o salário mínimo brasileiro está em R$ 1.100 enquanto a média do preço da gasolina no Brasil, no fim de setembro, estava em R$ 6,309. Tendo esses dados, o cálculo é bastante simples: basta dividir o valor do salário pelo do combustível e teremos o resultado 174,35. Ou seja, com o salário mínimo, é possível comprar pouco mais de 174 litros de gasolina.

Considerando um carro com uma capacidade média de 50 litros, será possível abastecê-lo, em média 3,48 vezes, ou seja, encher o tanque três vezes e num quarto abastecimento, deixá-lo em mais ou menos meio tanque. Com tudo isso, o motorista do veículo poderá percorrer, em média 2.088 quilômetros, considerando que esse carro faça cerca de 12 quilômetros com 1 litro de combustível.

Comparação das últimas décadas

Mas e há alguns anos, será que a gente comprava mais ou menos combustível?

Para responder a essa pergunta nós acessamos o site do governo, o Ipeadata para conferir a evolução dos salários mínimos no âmbito federal. Segundo os dados apresentados, entre 2001 e 2021 - período que engloba os mandatos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro - o salário mínimo variou de 180 reais, em 2001, chegando a 1.100 reais em 2021.

Também realizamos uma consulta à seção de Preços do site da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), clicando em “Preços de Revenda e de Distribuição de Combustíveis”, e em seguida em Sistema de Levantamento de Preços, por meio do qual é possível verificar de julho de 2001 a setembro de 2021 a mudança no preço médio da gasolina.

A partir dos dados obtidos elaboramos a seguinte tabela:

Ano Salário Mínimo Média da gasolina Quantos litros compra
2021 R$ 1.100,00 R$ 5,512 199,56
2020 R$ 1.045,00 R$ 4,278 244,27
2020 R$ 1.039,00 R$ 4,278 242,87
2019 R$ 998,00 R$ 4,378 227,95
2018 R$ 954,00 R$ 4,409 216,37
2017 R$ 937,00 R$ 3,767 248,73
2016 R$ 880,00 R$ 3,679 239,19
2015 R$ 788,00 R$ 3,343 235,71
2014 R$ 724,00 R$ 2,975 243,36
2013 R$ 678,00 R$ 2,854 237,56
2012 R$ 622,00 R$ 2,737 227,25
2011 R$ 545,00 R$ 2,730 199,63
2011 R$ 540,00 R$ 2,730 197,80
2010 R$ 510,00 R$ 2,566 198,75
2009 R$ 465,00 R$ 2,511 185,18
2008 R$ 415,00 R$ 2,500 166
2007 R$ 380,00 R$ 2,507 151,57
2006 R$ 350,00 R$ 2,552 137,14
2005 R$ 300,00 R$ 2,340 128,20
2004 R$ 260,00 R$ 2,137 121,66
2003 R$ 240,00 R$ 1,903 126,11
2002 R$ 200,00 R$ 1,734 115,34
2001 R$ 180,00 R$ 1,740 103,44

A partir dela é possível perceber que em 2021 realmente houve uma redução de 18,30% do poder de compra de gasolina em relação a 2020. Porém, ainda assim, em 2021 estamos comprando mais gasolina com o salário mínimo do que era possível comprar entre 2001 e 2011, ainda que o preço dos combustíveis fosse significativamente mais baixo no período.

Além disso, entende-se que em 2017 tinha-se o melhor resultado, quando era possível abastecer mais de 248 litros com o salário mínimo e que o ano de 2001 registrou a pior média, quando era possível abastecer pouco mais de 100 litros com o salário mínimo.

Obviamente não estamos incluindo nesse cálculo quaisquer outros gastos mensais, portanto, esses dados servem apenas a título de curiosidade e não para determinar a qualidade de vida como um todo. Para isso existem índices como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).