A inflação vem aumentando significativamente no Brasil nos últimos meses e umas das principais características dela é a diminuição do poder de compra das pessoas, com a mesma quantidade de dinheiro. Um dos ítens que mais vem pesando no bolso do brasileiros é o combustível.

Para se ter uma ideia, no último levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relacionado à inflação, o IPCA-15, que mostrou a prévia da inflação para o mês de setembro de 2021, o maior impacto (0,46 p.p.) e a maior variação (2,22%) vieram do grupo Transportes.

Esse resultado foi influenciado, segundo o IBGE, justamente pela alta dos combustíveis (3,00%), acima da registrada no mês anterior (2,02%). A gasolina subiu 2,85% e acumula 39,05% nos últimos 12 meses. Esse subitem exerceu o maior impacto individual do mês no IPCA-15, o mesmo da energia elétrica: 0,17 ponto percentual. Os demais combustíveis também apresentaram altas: etanol (4,55%), gás veicular (2,04%) e óleo diesel (1,63%).

Diante desses dados, é normal que surjam algumas perguntas, como "por que a gasolina está tão cara?". Eventualmente surgem até algumas teorias, ou vemos o Governo Federal colocando a culpa no Governo do Estado e vice-versa. E então novas dúvidas surgem como "mas afinal, como é composto o preço desse combustível?".

Para responder a essa segunda pergunta e pra te ajudar a entender a resposta da primeira pergunta também, a gente traz esse artigo. A partir de informações oferecidas pelo Banco Inter, vamos entender o preço da gasolina juntos. Vamos lá?

Como é composto o preço da gasolina?

Quando vemos a gasolina a mais de R$ 6,00 em um posto de combustível, custamos a entender (porque ela, de fato, está muito cara). Mas a verdade é que, no Brasil, há uma série de itens que compõem o preço desse combustível (o que por si só já ajuda na elevação dos preços). Veja quais são eles:

  • Preço do produtor (Petrobras e importadores) - a maior fatia do bolo, 35%;
  • Preço do etanol - o combustível comercializado nos postos do país é composto por 73% de derivado de petróleo (gasolina A) e 27% de etanol de origem canavieira. Ele representa 16,9% do preço;
  • Tributos federais - PIS, Cofins e Cide, que preenchem 11,5% do preço;
  • Imposto estadual - ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que tem 27,6% de peso sobre o valor nas bombas. Isso explica os preços da gasolina serem diferentes de uma cidade para a outra e de um estado para outro;
  • Distribuição, transporte e revenda - representando 10,4%.

Curiosidade importante: Em 2016, a política de preços de combustíveis da Petrobrás foi alterada para seguir a política de Paridade de Preços de Importação (PPI). A partir disso, os preços de venda dos combustíveis passaram a seguir o valor do petróleo no mundo e a variação cambial.

Quais fatores influenciam na alta dos preços?

Então, entramos no segundo item importante que é o dos fatores que influenciam no preço da gasolina. São eles:

Preço do dólar

A Petrobras, que abastece os distribuidores, calcula o preço da refinaria com base nos preços do petróleo (atrelado ao dólar) e nas taxas de câmbio. Nesse sentido, a valorização do dólar norte-americano obriga a gasolina a subir;

O aumento na demanda

Com a retomada da economia mundo afora, a demanda pelo petróleo (que é uma commodity) também aumentou, o que resultou no aumento do valor no mercado internacional.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a produção mundial de combustíveis no segundo trimestre de 2020 foi de 92,3 milhões de barris por dia, enquanto a demanda foi de 84,8 milhões de barris.

No mesmo período de 2021, a demanda aumentou para 96,7 milhões de barris por dia, mas a produção foi de 94,9 milhões de barris.

O valor do barril

Os do tipo Brent, que são comercializados em Londres e usados pela Petrobras para cálculo de preços, subiram quase 40% desde o início do ano, pressionando os preços dos combustíveis fósseis em geral.

E os impostos, qual o papel deles?

E há ainda os impostos, que como vimos, têm uma participação relevante na composição do preço. Se os impostos aumentam, consequentemente o preço do combustível vai ser elevado também.

Para se ter uma ideia, segundo a Tabela de Tributação dos Combustíveis por Estado, disponibilizada pela Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), atualmente, em São Paulo, o CIDE, PIS e COF correspondem a R$ 0,6869 do preço da gasolina e o ICMS corresponde a R$ 1,4179. Juntos, eles somam um total de R$ 2,105.

É possível conferir os dados de outros estados clicando aqui.

Podemos ver, pelo exemplo acima, que o imposto estadual é, de fato, mais significativo do que o federal, porém, por outro lado, a porcentagem do ICMS cobrado pelas unidades federativas não sofreu alterações para mais neste ano. Ao contrário, segundo a ANP, em abril de 2020 o ICMS pesava em média 29,9% no preço final do combustível, hoje a participação está em 27,6%.

Dessa forma, diferentemente do que se argumenta eventualmente, a culpa da alta no preço da gasolina não é do imposto estatual e sim, segundo o que vimos até aqui, a alta do dólar e do preço do barril de petróleo e, consequentemente, da política de Paridade de Preços de Importação. Também influencia a alta nos preços do etanol, em função dos prejuízos recentes na produção da cana de açucar, sua matéria prima.

Com informações Banco Inter.