A Dotz busca abrir negociação na bolsa de valores brasileira (B3) em 2021 e já deu os primeiros passos para conseguir isso no dia 22 de fevereiro. A empresa protocolou junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido para a realização de oferta pública inicial de ações (IPO Dotz), requisito para a estreia no mercado de capitais do país.

Sem divulgar até agora preço e quantidade de papeis, a Dotz anunciou que o IPO consistirá em distribuição primária (cujos recursos irão para o bolso da empresa) e em oferta secundária de ações, sendo que o acionista vendedor, que possui uma fatia de 98%, é o fundo de investimentos Ascet I.

Pelo prospecto preliminar divulgado, a empresa disse que pretende usar os recursos levantados com a oferta primária para:

  • Investir na plataforma tecnológica e digital da empresa;
  • Ampliar a participação da companhia nos negócios de fidelização, marketplace e techfin;
  • Investir em potenciais aquisições estratégicas;
  • Fazer pagamentos relacionados à operação de mezanino existente.

Conforme o documento divulgado, são coordenadores do IPO as instituições BTG Pactual, Itaú BBA, UBS BB e a Credit Suisse.

- Veja o prospecto do IPO da Dotz na íntegra

IPO's em 2021

A onda de IPO's segue forte em 2021, após as diversas aberturas de capitais feitas até agora. Até a edição desta matéria (3 de março), 26 empresas entraram com pedido de oferta perante a CVM nos três primeiros meses do ano. Ao todo, são 44 interessadas em entrar para a bolsa de valores de São Paulo (B3) com pedidos em análise.

Além disso, segundo a CVM, já foram realizados 13 IPO's em 2021 cuja movimentação total ultrapassa a marca de R$ 10 bilhões.

Quem é a Dotz?

A companhia Dotz é uma sociedade anônima sediada na capital paulista que tem atuação em programas de benefícios e recompensas. Dando vida à moeda Dotz, o modelo de negócio é oferecer pontos após o usuário realizar compras de empresas parceiras. Um dos maiores parceiros do negócio é o Banco do Brasil, que utiliza a moeda em seu programa de benefícios.

"A Dotz começou em 2000 já inovando, sendo um dos primeiros Marketplaces do país, desenvolvendo o primeiro programa de coalizão online do Brasil. Uma decisão muito importante da Dotz foi de ser desde o início uma moeda e não apenas pontos, pois com esta estratégia consumidores sempre enxergaram os pontos Dotz como dinheiro, maximizando e tangibilizando a percepção de valor e o engajamento. Este caminho veio a ser coroado em 2020, quando as contas em Dotz passaram a ser convertidas em Reais com um simples clique (Conta Digital Dotz)", disse a empresa.

Desde 2000, o Programa Dotz recebeu ao todo 48 milhões de membros, sendo que 20 milhões dessas pessoas seguem com saldo em conta em 2020.

A receita líquida da Dotz caiu de R$ 127 milhões em 2019 para R$ 111 milhões em 2020, resultado bastante influenciado pela pandemia de covid-19 e pela "modalidade de contrato específica modificada a partir 2016" , segundo o prospecto preliminar divulgado.

A empresa também disse que registrou um prejuízo acumulado de R$ 330,6 mil em 2020, impactado, principalmente, por três fatores não recorrentes:

  • Recompra de participação da LoyaltyOne;
  • Investimentos na Dotz Pay: sendo que a unidade de negócio mostrou prejuízo total de R$ 22,377 mil no fim de 2020;
  • Despesas relacionadas a debêntures.