A terceira reunião do Copom - Comitê de Política Monetária - terminou nessa quarta-feira, 4 de maio com mais uma elevação da Taxa Selic. Agora ela está em 12,75%. Foi mais 1 ponto percentual de alta, seguindo as expectativas que o mercado financeiro vinha apontando.

Esse foi o décimo aumento consecutivo da taxa de juros do Brasil. Mas as elevações não devem parar por aí. Porque o mercado segue com projeções de alta para todo o ano de 2022. Segundo o último Relatório Focus estima-se agora uma Selic a 13,25% até o fim do ano - um aumento significativo quando comparado com as expectativas de 11,75% anunciadas no fim de 2021.

Assim, na próxima reunião, que acontece nos dias 14 e 15 de junho (veja abaixo o calendário), mais uma alta é muito provável. O próprio Copom admite isso, segundo relatório divulgado ao término dessa terceira reunião de 2022.

Um recuo da Selic, segundo as projeções do mercado, é visto nos próximos anos. Segundo o Focus, em 2023 a taxa de juros deve ser de 8,75% - ante projeções de 8,25% a.a divulgadas anteriormente. Em 2024 e 2025 a Selic ainda deve cair para 7,50% e 7%, respectivamente.

Abaixo, confira as expetativas do mercado para taxa de juros, PIB, inflação e outros, bem como veja o calendário das reuniões que vão acontecer ao longo de 2022 e saiba mais sobre o Copom e a Taxa Selic.

Relatório Focus 2022

Veja abaixo mais projeções do mercado para 2022, segundo o último Boletim Focus do Banco Central:

  • Selic: 13,25% ao ano;
  • Inflação (IPCA): 7,89%;
  • PIB Total (variação sobre o ano anterior): aumento de 0,70%;
  • Câmbio (Dólar): R$ 5,00;
  • IGP-M: 12,22%;
  • Conta Corrente: saldo negativo de US$ 13,20 bilhões;
  • Balança comercial: US$ 69,50 bilhões;
  • Investimento direto no país: US$ 60 bilhões;
  • Dívida líquida do setor público: 60,36% do PIB.

Vamos entender agora o que é, afinal, essa taxa selic e como ela é ajustada pelo Copom nas reuniões. E quem é o Copom? Veja abaixo:

O que é a Taxa Selic?

Abreviação de Sistema Especial de Liquidação e Custódia, a Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, responsável por orientar o cálculo dos demais juros do país, como os de financiamentos, empréstimos, bem como a rentablidade de alguns tipos de investimentos.

Sempre revisada pelo Copom, órgão do Banco Central, a cada 45 dias, a Selic mostra como os bancos devem cobrar por empréstimos e financiamentos e impõe a rentabilidade direta ou indireta de investimentos. O título público federal Tesouro Selic, por exemplo, tem rentabilidade que acompanha as variações da taxa.

Além disso, a selic também norteia a inflação no Brasil (atingindo em cheio o IPCA), tudo para controlar a economia brasileira.

Com a selic sendo aumentada, logo os empréstimos e financiamentos ficam mais caros e o poder de compra dos brasileiros diminui; neste caso, é observada uma desaceleração na economia. Entretanto, alguns investimentos, como os títulos públicos, ficam com uma rentabilidade maior.

De outro lado, quando o Copom decide baixar a Selic - assim como ocorreu fortemente em 2020 -, o movimento é, em tese, o contrário e a intenção do governo, junto aos economistas, é deixar o crédito mais barato e incentivar o consumo da população e a produção do mercado, aquecendo a economia. Mas, atualmente a recuperação das atividades depende ainda de algo muito mais complexo: a pandemia de covid-19.

Quem é o COPOM?

É importante também conhecer um pouco mais o COPOM. Trata-se de um órgão formado pelo presidente e oito diretores do Banco Central, que se reúnem em sessões de dois dias para estudar e discutir sobre diversos assuntos, como inflação, contas públicas, o desempenho da atividade econômica e o cenário internacional — e, claro, para ajustar a taxa SELIC.

Em cada reunião os membros do Copom analisam as projeções dos especialistas para os mercados e economias globais antes de tomar as decisões finais, por voto.

"O Copom toma suas decisões a cada reunião, conforme as expectativas de inflação [indicada pelo IPCA], o balanço de riscos e a atividade econômica. O BC define a taxa Selic visando o cumprimento da meta para a inflação", explicou o Banco Central (BC). Vale dizer que essa meta para inflação é sempre definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Calendário do COPOM de 2022

O Banco Central (BC) divulgou recentemente o calendário completo das reuniões que serão realizadas em 2022 pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, para ajustar a taxa básica de juros do Brasil, a Selic. Começando já em 1º de fevereiro e seguindo até dezembro de 2022, a nova agenda conta com oito sessões ao todo, conforme a tradição.

Após a última reunião, a decisão do Copom é anunciada no mesmo dia por meio de nota online. Mas, as atas das reuniões, que trazem os fundamentos e projeções do órgão, são publicadas na terça-feira da semana seguinte ao encontro, às 8h.

Em cada evento de ajuste da Selic, o Copom realiza normalmente dois encontros que são realizados em dias consecutivos. Veja abaixo a agenda completa do Copom para 2022:

  • 1º e 2 de fevereiro;
  • 15 e 16 de março;
  • 3 e 4 de maio;
  • 14 e 15 de junho;
  • 2 e 3 de agosto;
  • 20 e 21 de setembro;
  • 25 e 26 de outubro;
  • 6 e 7 de dezembro.

Histórico da Taxa Selic

Últimos ajustes da Taxa Selic
Reunião do Copom SELIC - % a.a. Ajuste
04/05/2022 12,75 + 1,00
16/03/2022 11,75 + 1,00
02/02/2022 10,75 +1,50
08/12/2021 9,25 +1,50
27/10/2021 7,75 +1,50
22/09/2021 6,25 + 1,00
04/08/2021 5,25 +1,00
16/06/2021 4,25 +0,75
05/05/2021 3,50 +0,75
17/03/2021 2,75 +0,75
20/01/2021 2,00 0
09/12/2020 2,00 0
Créditos: Banco Central/Poupar Dinheiro