O Banco Central do Brasil divulgou o calendário de reuniões que serão feitas no decorrer de 2023 para ajustar a taxa básica de juros do país, a Selic, ao longo do próximo ano. Como de costume, serão feitas oito sessões nas quais os membros do Copom vão analisar a situação econômica e decidir o patamar da Selic para as semanas seguintes - veja abaixo as datas e entenda como vai ser.

Atualmente, o mercado prevê um recuo nos juros, isso em 2023 e também nos anos seguintes, conforme mostra o Boletim Focus, relatório elaborado pelo Banco Central que traz projeções econômicas e financeiras do mercado.

O Brasil é um dos países com os juros mais altos do mundo, o que deixa a taxa selic sempre em destaque nos meios de comunicação. Após o último reajuste pelo Copom, a Selic hoje é de 13,75% ao ano, mas deve conseguir cumprir seu papel nos próximos meses e atingir 11% a.a. no final de 2023, segundo o relatório.

Quem é o COPOM do Banco Central?

Atual composição do Copom. - Créditos: Divulgação/BC.
Atual composição do Copom. - Créditos: Divulgação/BC.

Quem deseja acompanhar a economia deve conhecer o Copom, sigla para "Comitê de Política Monetária". Ele é o braço do Banco Central, composto por um presidente e diretores nomeados, que tem a função de definir a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) a cada 45 dias. Hoje, o presidente do Copom - e do Banco Central - é o economista Roberto Campos Neto.

Os membros do Copom, órgão do Banco Central (BC ou Bacen), reúnem-se em sessões de dois dias para estudar e discutir sobre diversos assuntos, como inflação, contas públicas, o desempenho da atividade econômica e o cenário internacional — e, claro, para ajustar ou não a SELIC. Ou seja, pode ser que a taxa aumente, recue ou não seja alterada.

Em cada reunião os membros do Copom analisam as projeções dos especialistas para os mercados e economias globais antes de tomar as decisões finais, por voto. As decisões do Copom são sempre tomadas com o objetivo de deixar a inflação medida pelo IPCA na meta definida pelo CMN.

Essa sopa de letrinhas não é tão complicada. No Brasil, a meta para a inflação é função do Conselho Monetário Nacional (CMN) e cabe ao Banco Central adotar as medidas necessárias para alcançá-la, por meio dos ajustes do Copom e outras atividades.

O índice de preços utilizado na meta para a inflação é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Todo esse longo processo é importante, visto que a taxa selic é a base, a referência, para a determinação dos demais juros do país. Dessa maneira, ela controla a inflação, financiamentos, empréstimos, bem como impõe a rentabilidade direta ou indireta de investimentos.

Depois da definição da selic pelo Copom, o Banco Central atua diariamente para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião, e isso acontece por ampla divulgação no mercado e por meio de compra e venda de títulos públicos federais.

Calendário Copom 2023: as datas das reuniões

O Banco Central publicou na segunda-feira, 20 de junho, o calendário das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2023. Como dito acima, a taxa selic é revisada a cada 45 dias e a decisão pelo Comitê ocorre após dois dias de reunião. Confira abaixo em quais dias a Selic será definida no ano que vem:

  • 31 de janeiro e 1º de fevereiro;
  • 21 e 22 de março;
  • 2 e 3 de maio;
  • 20 e 21 de junho;
  • 1º e 2 de agosto;
  • 19 e 20 de setembro;
  • 31 de outubro e 1º de novembro;
  • 12 e 13 de dezembro.

Geralmente, as atas do Copom, com detalhes, são publicadas às 8 horas da terça-feira seguinte às reuniões do comitê, ou seja, na próxima semana da revisão da taxa. Mas, a decisão é anunciada no mesmo dia.

Projeções para 2023

Segundo o último relatório do Copom divulgado pelo BC, as expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 7,2%, 5,3% e 3,3%, respectivamente e, esse cenário supõe trajetória de juros que termina 2022 em 13,75% a.a., reduz-se para 11,00% em 2023 e 8,00% em 2024.