Na última quarta-feira, dia 22 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, anunciou mais uma alta na taxa básica de juros brasileira, a Taxa Selic. Dessa forma, ela passou de 5,25%, para 6,25%.

Diante esse acontecimento, que eleva a Selic para o mesmo nível do início de 2019, os empréstimos também tiveram um aumento em suas taxas. Ademais, o governo já havia anunciado a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que também aumentou os custos em algumas modalidades de crédito.

De acordo com a professora de economia do Insper: Ensino Superior em Negócios, Direito e Engenharia, Juliana Inhasz:

"Quando a gente aumenta a taxa de juros, naturalmente, fica mais caro para as pessoas pegarem empréstimo e para as empresas investirem. O setor produtivo tende a apostar menos na economia. Ele fica mais reticente em investir e aumentar a produção".

Afinal, como a taxa Selic afeta as opções de crédito? Descubra a seguir.

Casa própria

No que diz respeito às linhas de crédito para o financiamento imobiliário, as mesmas costumam mudar diante da alta da Selic. Sendo assim, sempre que aumenta a Selic, as taxas do financiamento de imóveis tendem a subir também. Apesar disso, e em movimento contrário a todos os bancos, a Caixa reduziu os juros do crédito imobiliário.

Ademais, apesar da alta, os juros ainda estão em um nível mais baixo do que os registrados nos últimos anos. Reflexo disso, são os números dos financiamentos imobiliários, efetuados com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

Apenas em julho, os financiamentos desse tipo movimentaram R$ 18,79 bilhões, de acordo com a Acebip. Ou seja, houve um aumento de 73,6%, em comparação ao mesmo período do ano passo. Entretanto, o número apresentou uma queda de 4,4%, quando comparado com o mês de junho de 2021.

IOF

O presidente Jair Bolsonaro sansionou o aumento da alíquota do IOF. Dessa forma, deve elevar a arrecadação do governo em R$ 2,14 bilhões. Essa alteração temporária vista pagar o programa Auxílio Brasil, substituindo assim, o atual Bolsa Família.

Para as empresas, a alíquota diária passa de 0,0041% (anual de 1,50%), para 0,00559% (anual de 2,04%). Por outro lado, para as pessoas físicas, a alíquota diária sai de 0,0082% (anual de 3,0%) para 0,01118% (anual de 4,08%).

Vale ressaltar, que o imposto pesa sobre os financiamentos bancários, sobre as compras com o cartão de crédito, entre outras transações financeiras.

Juros futuros

A medida em que os financiamentos ficam mais caros, reduz também a tomada de crédito pelas empresas. Dessa forma, a economia do Brasil pode se prejudicar, e não alcançar a recuperação estimada.

A elevação da Selic e a expectativa de novas altas, afeta o mercado de juros futuros. E isso, prejudica as ações de empresas listadas na B3. Na última terça-feira (21), a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2025, terminou o dia em 9,90%. Já a taxa do DI para janeiro de 2027, fechou em 10,30%.

Sendo assim, quanto mais altas as taxas, mais os agentes cobram para continuar com os ativos. Ou seja, eles atuam como um indicativo do humor dos investidores.