Existem vários tipos de taxas utilizadas pelas instituições financeiras para regular seu funcionamento. Uma delas, que é muito importante para todas as pessoas conhecerem, é a Taxa CDI. Ela tem uma grande influência na vida de todos nós, mesmo na daqueles que não se interessam por investimentos. Vamos explicar porquê.

CDI é a sigla para o termo Certificado de Depósito Interbancário. O CDI é utilizado pelos bancos para regular os empréstimos que acontecem entre eles.

Porque sim, os bancos costumam pegar dinheiro emprestado entre eles. O Banco Central tem uma regra que determina que todos os bancos precisam sempre fechar o dia com saldo positivo. No entanto, eventualmente, o volume de saques pode ser maior que o de depósitos, o que pode resultar em uma diferença de caixa para os bancos. Para que eles não fiquem com o registro no negativo, eles pegam um valor emprestado com outro banco, que ficou no positivo, por um período de 24 horas.

Assim é emitido um CDI. Sua principal função é, por meio da regularização dessas transações, manter a fluidez do mercado bancário. As operações com CDI acontecem sempre à noite, no Open Market que é restrito apenas às instituições financeiras.

Mas então, que eu tenho a ver com isso?

Pra começar, se você é correntista de um banco, saiba que o CDI também ajuda a te proteger, porque essa ajuda entre instituições, faz com que todas elas consigam sempre cumprir com seus compromissos para com os clientes.

Além disso, o CDI é utilizado como referência para uma série de outras situações, como veremos mais abaixo.

A taxa CDI

Primeiro é preciso entender que essas transações entre bancos acontecem diariamente. Outro ponto importante para sabermos é que cada banco tem autonomia para decidir as condições dos seus empréstimos, inclusive o valor da taxa que vai cobrar para emitir um CDI.

Somando as taxas cobradas por cada uma das instituições financeiras, diariamente a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip) calcula uma média entre todos os CDIs realizados. Essa média é chamada de Taxa DI.

A taxa DI

Mas então essa taxa muda todos os dias? Sim. Todos os dias ela é calculada e é possível conhecer qual é a Taxa DI do dia, ou seja, a média dos CDI do dia, acessando o site da Bolsa de Valores (B3).

Você vai encontrar a informação no topo da página, conforme imagem abaixo:

Topo da página da B3, registrado no dia 31 de março de 2021. Créditos: Reprodução/B3
Topo da página da B3, registrado no dia 31 de março de 2021. Créditos: Reprodução/B3

Os CDIs e, portanto, a Taxa DI costumam acompanhar muito de parto a Taxa Selic - que é a taxa básica de juros da economia brasileira.

Pra se ter uma ideia, nesse momento a Selic está em 2,75% e a Taxa DI em 2,65% (valores da terça-feira, 30 de março).

Ao fim de cada mês, somando as taxas acumuladas, é possível chegar a uma média média mensal. Ao fim do ano, a mesma coisa.

O CDI hoje

Em 2020, por exemplo, o CDI acumulado ao longo dos 12 meses foi de 2,75%. Já em 2019, essa taxa ficou em 5,96%.

Em 2021 temos a média dos meses de janeiro, fevereiro e março, que foram as seguintes:

Mês CDI acumulado no mês
Janeiro 0,15%
Fevereiro 0,13%
Março 0,20%
Abril --
Maio --
Junho --
Julho --
Agosto --
Setembro --
Outubro --
Novembro --
Dezembro --
Acumulado do ano até agora 0,49%

O CDI como referência

As operações realizadas entre os bancos costumam ser muito seguras, de risco muito baixo. Por isso, o CDI e a Taxa DI acabaram se tornando uma referência para o mercado financeiro.

Os investimentos em renda fixa, por exemplo, costumam estar atrelados ao CDI (ou, mas especificamente à taxa DI). Aliás, o CDI é tido como a taxa de rentabilidade mínima que qualquer investimento deve ter.

No caso dos investimentos atrelados a ele, é interessante observar ainda que, suas variações de rentabilidade serão proporcionais à variação do CDI, em especial nos investimentos pós-fixados - porque eles podem variar, diferentemente dos pré-fixados, onde a taxa é mantida igual do início ao vencimento do título.

Porque o CDI é referência e não a Selic?

Porque os bancos precisam ter lucro, não é mesmo? Vamos explicar.

É que apesar de acompanhar de perto a Taxa Selic, a Taxa DI (e o CDI) sempre vai ter um valor um pouco menor e essa diferença vai permitir o spread dos bancos - ou seja, é a diferença entre os juros que o banco te paga para captar os recursos (quando você empresta dinheiro ao banco) e os juros que esse mesmo banco cobra para emprestar dinheiro (em um empréstimo ou financiamento).

Investimentos atrelados ao CDI

Entre os investimentos atrelados ao CDI hoje estão o CDB a LCI, LCA, LC e Fundos de Renda Fixa, entre outros.

Os CDBs são como CDIs mais voltados à Pessoa Física, ou seja, ela fomenta as linhas de crédito dos bancos. A sigla significa Certificado de Depósito Bancário. Um investidor em CDB estará emprestando um dinheiro seu, sob uma determinada taxa de juros (pré-fixada ou pós-fixada), para que a instituição financeira empreste a outras pessoas. O rendimento dos CDBs constumam variar em percentuais do CDI, ou seja, render x por cento do CDI.

As LCIs e LCAs são Letras de Crédito Imobiliário e Letras de Crédito do Agronegócio, respectivamente, ou seja, títulos emitidos pelos bancos para fomentar o crédito imobiliário (financiar imóveis, por exemplo) e para financiar o agronegócio (empréstimo paara agricultores, pecuaristas, etc). Já as LCs são Letras de Câmbio e são utilizadas para empréstimos em geral, sem uma linha específica.

E um Fundo de Renda Fixa é como uma cesta contendo uma diversidade de investimentos em renda fixa. Esses fundos costumam ter um administrador que vai utilizar o dinheiro de várias pessoas e escolher em quais fundos investir aquele valor, normalmente naqueles que ele acredita que serão mais seguros ou mais rentáveis. Os lucros obtidos são divididos entre os investidores, na proporção do valor investido.

Termômetro da economia

Tanto um CDI alto como um CDI baixo tem suas vantagens e desvantagens. Como assim?

Um CDI alto permite que investimentos atrelados a eles rendam mais, o que é bom para os investidores. Porém, um CDI alto costuma ser um indicativo de que a economia não vai muito bem.

Já um CDI baixo, em muitos casos é um indício de boa economia, mas não permite um rendimento muito bom para os investidores atrelados a ele.

Por isso, outra função interessante do CDI é a de servir como uma espécie de termômetro da economia.

Porque como já dito anteriormente, o CDI está muito ligado à Selic, cuja meta é definida periodicamente pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Esse grupo do governo se reúne para decidir se a economia interna precisa de maior ou menor aperto nos juros de crédito.

Existem três cenários principais:

  1. Se a economia está crescendo a taxas consideradas suficientes e a inflação está sob controle, a tendência é que os juros permaneçam estáveis (taxa Selic e CDI);
  2. Se a inflação está alta, os juros costumam ser elevados, porque assim é freado o consumo, que depende do crédito;
  3. E se as perspectivas de inflação estão dentro da meta, os juros são reduzidos para estimular o consumo.

Entretanto, esses cenários nem sempre são a regra. Atualmente, por exemplo, a economia brasileira vem enfrentando problemas, decorrentes principalmente da pandemia de covid-19, o que resultou em uma alta da inflação. Porém, não é possível que a Selic seja rapidamente aumentada, mesmo que essa fosse a recomendação em um cenário normal, pois um aumento nessa taxa frearia ainda mais o consumo que já não é grande no momento, justamente em função da pandemia, do aumento do desemprego, etc.

Um processo de aumento gradual dessa taxa, entretanto, já teve início. Na última reunião do Copom, foi decido pelo aumento de 0,75%, deixando a Selic em 2,75%. Antes disso a taxa era de 2% apenas.