A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - a inflação oficial do país - teve um aumento de 0,53% no mês de junho de 2021 e, com isso, atingiu a marca histórica de 8,35% nos últimos 12 meses.

Esse resultado é um pouco menor do que o registrado em maio, quando a inflação foi de 0,83%, porém, no acumulado do ano, o resultado é maior, já que o dado anterior era 8,06%.

As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgadas nessa quinta-feira, 8 de julho. O balanço mostra ainda que esse foi o maior resultado para um mês de junho nos últimos 5 anos.

Resumo da inflação em junho de 2021. Créditos: Reprodução/IBGE
Resumo da inflação em junho de 2021. Créditos: Reprodução/IBGE

Apenas em 2021, o acumulado já é de 3,75% (veja o quadro no fim da matéria). Com esses dados, a inflação já atinge a meta do governo para o ano, cujo centro era de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%. A projeção para os 12 meses de 2021 já é de 6,07%, ficando bem acima do teto da meta.

Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Resultado por categorias

Para chegar ao valor da inflação, mensalmente são pesquisados os preços de 9 grupos de produtos e serviços. Em junho, oito deles registraram alta. O maior aumento foi registrado no grupo vestuário (1,21%), mas também teve um grande impacto o grupo habitação com 0,17 ponto percentual (alta de 1,10%).

Veja abaixo a inflação em cada um desses grupos:

Grupo Maio % Junho % Maio p.p. Junho p.p.
Índice Geral 0,83 0,53 0,83 0,53
Alimentação e Bebidas 0,44 0,43 0,09 0,09
Habitação 1,78 1,10 0,28 0,17
Artigos de Residência 1,25 1,09 0,05 0,04
Vestuário 0,92 1,21 0,04 0,05
Transportes 1,15 0,41 0,24 0,09
Saúde e Cuidados Pessoais 0,76 0,51 0,10 0,07
Despesas Pessoais 0,21 0,29 0,02 0,03
Educação 0,06 0,05 0,00 0,00
Comunicação 0,21 -0,12 0,01 -0,01

Energia, água e gás pesam no bolso

Segundo o IBGE, o grupo Habitação (1,10%) subiu menos do que em maio (1,78%), principalmente devido à desaceleração da energia elétrica (1,95%) em relação ao mês anterior (5,37%). Ainda assim, este item exerceu o maior impacto individual no índice do mês (0,09 p.p.). Em junho, passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 2, acrescentando R$ 6,243 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Ainda em Habitação, destaca-se a alta da taxa de água e esgoto (1,04%), consequência dos reajustes de 7,10% em São Paulo (2,42%), vigente desde 10 de maio, e de 5,78% em Curitiba (3,43%), a partir de 17 de maio. Em Brasília (-2,40%), houve redução média de 2,74% nas tarifas a partir de 1º de junho.

Os preços do gás de botijão (1,58%) e do gás encanado (5,01%) também subiram. No subitem gás encanado, a alta decorre do reajuste de 9,63% em São Paulo (8,73%) a partir de 31 de maio. Além disso, houve a contribuição residual dos reajustes de 13% no Rio de Janeiro (0,42%) e de 7,04% em Curitiba (0,23%), ambos em vigor desde 1º de maio.

No grupo Alimentação e bebidas, a alta de 0,43% ficou próxima à do mês anterior (0,44%). A alimentação no domicílio passou de 0,23% em maio para 0,33% em junho, principalmente por conta das carnes (1,32%), que subiram pelo quinto mês consecutivo e acumulam alta de 38,17% em 12 meses. No lado das quedas, destacam-se a batata-inglesa (-15,38%), a cebola (-13,70%), o tomate (-9,35%) e as frutas (-2,69%).

A alimentação fora do domicílio (0,66%) desacelerou em relação a maio (0,98%), principalmente por conta do lanche (0,24%), cujos preços haviam subido 2,10% no mês anterior. Já a refeição subiu 0,85%, enquanto havia apresentado alta de 0,63% em maio.

No grupo dos Transportes (0,41%), os combustíveis subiram 0,87% e acumulam alta de 43,92% nos últimos 12 meses. Mais uma vez, o maior impacto (0,04 p.p.) veio da gasolina (0,69%), cujos preços haviam subido 2,87% em maio. Os preços do etanol (2,14%) e do óleo diesel (1,10%) e do gás veicular (0,16%) também registraram alta em junho.

Ainda em Transportes, as motocicletas (0,90%), os automóveis novos (0,51%) e os automóveis usados (0,58%) permanecem em alta. Alguns produtos e serviços relacionados a estes subitens, casos do pneu (2,10%) e do conserto de automóvel (0,43%), tiveram comportamento semelhante.

Nos transportes públicos (-0,61%), houve reajustes nas passagens de metrô (1,76%) no Rio de Janeiro (5,65%) - aumento de 16%, válido desde 11 de maio - e dos ônibus intermunicipais (0,34%) em Salvador (4,88%), onde o aumento de 6,80% foi aplicado a partir de 1º de junho. No lado das quedas, registrou-se recuo de 5,57% nos preços das passagens aéreas, com impacto de -0,02 p.p. no resultado do mês.

O resultado do grupo Saúde e cuidados pessoais (0,51% e 0,07 p.p.) foi influenciado, principalmente, pelo plano de saúde (0,67%) e pelos itens de higiene pessoal (0,68%), ambos com 0,03 p.p. de impacto.

Vestuário (1,21%) foi o grupo com a maior variação e contribuiu com 0,05 p.p. no IPCA de junho. Destacam-se as acelerações dos calçados e acessórios (1,53%), das roupas masculinas (1,52%) e das roupas femininas (1,10%), que em maio haviam subido 0,79%, 1,21% e 1,02%, respectivamente.

Inflação por regiões

A pesquisa também traz os resultados da inflação por regiões e em todas as áreas pesquisadas também houve aumento. O maior índice foi o da região metropolitana de Recife (0,92%), influenciado pelas altas nos preços da gasolina (4,92%) e da energia elétrica (2,78%).

Já o menor resultado ocorreu em Brasília (0,17%), pelo segundo mês consecutivo, por conta da queda nos preços das frutas (-7,53%) e da taxa de água e esgoto (-2,40%).

Veja detalhes na imagem abaixo:

IPCA por região. Créditos: Reprodução/IBGE
IPCA por região. Créditos: Reprodução/IBGE

Inflação acima do teto da meta em 2021

A meta central do governo para a inflação em 2021 foi definida em de 3,75% e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,25%. Porém, já na metade do ano os economistas estão calculando que ela será bem maior do que isso.

As instituições financeiras já elevam a taxa para 6,07%, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central, no Boletim Focus da última segunda-feira, dia 5.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom) eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que está em 3,50% ao ano.

Em 2021, a Selic já foi elevada em três ocasiões (primeiro para 2,75%, depois para 3,50% e por último para 4,25%). Uma nova reunião do Copom está agendada para os dias 3 e 4 de agosto e a expectativa é de que novos aumentos sejam determinados.

INPC tem alta de 0,60% em junho

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC foi de 0,60% em junho, 0,36 p.p. abaixo do resultado de maio (0,96%). No ano, o indicador acumula alta de 3,95% e, em 12 meses, de 9,22%, acima dos 8,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2020, a taxa foi de 0,30%.

Os produtos alimentícios subiram 0,47% em junho, ficando abaixo do resultado de maio (0,53%). Já os não alimentícios tiveram alta de 0,64%, ante 1,10% em maio.

Houve variações positivas todas as áreas investigadas. O menor índice foi o de Brasília (0,14%), onde pesaram as quedas nos preços das frutas (-6,83%) e da taxa de água e esgoto (-1,71%). As regiões metropolitanas de Recife e de Salvador registraram a maior variação (0,90%). Estas altas foram influenciadas pela energia elétrica (2,85% em Recife e 2,53% em Salvador) e pela gasolina (4,92% em Recife e 2,22% em Salvador).

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados entre 28 de maio e 28 de junho de 2021 (referência) com os preços vigentes entre 30 de abril e 27 de maio de 2021 (base). O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento de um a cinco salários-mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.

IPCA em 2021

Veja abaixo um quadro com os últimos resultados do IPCA e a soma dele em 2021:

Mês IPCA
Janeiro 0,25%
Fevereiro 0,86%
Março 0,93%
Abril 0,31%
Maio 0,83%
Junho 0,53%
Total de 2021 3,75%