A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - a inflação oficial do país - teve um aumento de 0,83% no mês de maio de 2021 e com isso, atingiu a marca histórica de os 8,06% no últimos 12 meses.

A informação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foi divulgada nessa quarta-feira, 9 de junho. O balanço mostra ainda que esse foi o maior resultado para um mês de maio desde 1996.

Anteriormente, a soma dos 12 meses vinha registrando uma inflação de 6,76%. Apenas em 2021, o acumulado já é de 3,22%. Com esses dados, a inflação permanece bem acima do teto da meta do governo para o ano, cujo centro era de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Resultado por categorias

Para chegar ao valor da inflação, mensalmente são pesquisados os preços de 9 grupos de produtos e serviços. Em maio, todos eles registraram alta. O maior aumento foi registrado no grupo habitação (1,78%), e a menor variação foi na educação (0,06%).

Veja abaixo a inflação em cada um desses grupos:

  • Alimentação e bebidas: 0,44%
  • Habitação: 1,78%
  • Artigos de residência: 1,25%
  • Vestuário: 0,92%
  • Transportes: 1,15%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,76%
  • Despesas pessoais: 0,21%
  • Educação: 0,06%
  • Comunicação: 0,21%
Tabela IPCA maio de 2021. Créditos: Reprodução/IBGE
Tabela IPCA maio de 2021. Créditos: Reprodução/IBGE

Energia elétrica pesa para os brasileiros

Segundo o IBGE, dentro do grupo habitação, o maior impacto individual do mês veio da alta da energia elétrica (5,37%), que sozinha respondeu por 0,23 ponto percentual do IPCA.

Contribuiu para isso o fato de que em maio passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Além disso, no final de abril já haviam ocorreidos reajustes em diversas regiões do país. Tudo em razão da crise hídrica vivida no momento.

Outros itens que pesaram no bolso dos consumidores em maio foram gás de botijão (1,24%), gás encanado (4,58%), gasolina (2,87%), etanol (12,92%) e óleo diesel (4,61%). No ano, a gasolina acumula alta de 24,70% e, em 12 meses, de 45,80%.

"Esse resultado do mês tem muito a ver com os [produtos e serviços] monitorados, principalmente energia elétrica e combustíveis", afirmou o gerente da pesquisa Pedro Kislanov. "A gente ainda não pode falar em repressão de demanda. Apesar de a gente estar em um cenário de recuperação econômica, como mostrou o resultado do PIB, ainda temos desemprego alto e renda comprimida", acrescentou.

O pesquisador destacou que o resultado da cesta de serviços teve deflação de 0,15% em maio, o que reforça a leitura de que não há pressão por parte da demanda. As principais influência para o resultado partiram das passagens aéreas, com queda de 28,33%, e do aluguel residencial, com recuo de 0,20%.

Inflação por regiões

A pesquisa também traz os resultados da inflação por regiões e em todas as áreas pesquisadas também houve aumento. O maio índice foi registrado em Salvador, na Bahia (1,12%), influenciado pelas altas nos preços da gasolina (8,43%) e da energia elétrica (10,54%).

Também tiveram índices bem altos as regiões de São Luís, no Maranhão e de Fortaleza, no Ceará (ambos 1,10%) e depois Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (1,04%).

Já o menor resultado foi em Brasília (0,27%). Contribuiu para isso a queda nos preços das passagens aéreas (-37,10%) e das frutas (-10,68%). Também ficou abaixo da média a região de Belém, no Pará (0,48%).

Veja detalhes na imagem abaixo:

IPCA por região. Créditos: Reprodução/IBGE
IPCA por região. Créditos: Reprodução/IBGE

Inflação acima do teto da meta em 2021

A meta central do governo para a inflação em 2021 foi definida em de 3,75% e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,25%. Porém, já na metade do ano os economistas estão calculando que ela será bem maior do que isso.

As instituições financeiras já elevam a taxa para 5,44%, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central, no Boletim Focus da última segunda-feira, dia 7. Essa é a nona semana seguida de alta na expectativa e alguns analistas já calculam uma inflação ainda maior, na casa dos 6% até o mês de dezembro.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom) eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que está em 3,50% ao ano.

Em 2021, a Selic já foi elevada em duas ocasiões (primeiro para 2,75%, depois para 3,50%). Uma nova reunião do Copom está agendada para os dias 15 e 16 de junho e a expectativa é de que novos aumentos sejam determinados.

INPC tem alta de 0,96% em maio

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado como referência para reajustes salariais e benefícios do INSS, subiu 0,96% em maio, contra 0,38% em abril. Essa é a maior variação para um mês de maio desde 2016, quando o índice foi de 0,98%.

No ano, o indicador acumula alta de 3,33% e, nos últimos doze meses, de 8,90%, acima dos 7,59% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2020, a taxa foi de -0,25%.