A construtora de imóveis de luxo JFL Holding protocolou um pedido de Oferta Pública Inicial (IPO na sigla em inglês) junto à Comissão de Valores Mobiliários do Brasil, a CVM, em 3 de setembro deste ano. Essa operação é aquela necessária para levar uma empresa até a bolsa de valores.

Segundo o documento protocolado, a JFL está preparando um IPO com ofertas primária e secundária de ações do tipo ordinária (ON). Assim, caso tudo ocorra conforme o planejamento inicial, a empresa passará a ter ações ON sendo negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) após a conclusão da operação.

JFL investirá 55% dos recursos captados no IPO em projetos de tecnologia

Como regra, em todo IPO a chamada "distribuição primária" consiste em venda de ações emitidas pela empresa, que recebe o dinheiro arrecadado. E, pelo documento enviado à CVM, a JFL Holding disse que pretende usar a maioria dos recursos levantados no IPO em projetos de tecnologia. Veja abaixo o que a empresa planeja fazer após a listagem na B3:

  • Novos projetos para desenvolvimento, construção e investimentos estratégicos em tecnologia (com 55% dos recursos levantados);
  • Otimização do pagamento de dívida e da estrutura de capital (24%)
  • Aquisição de novos ativos (21%).

Por sua vez, na chamada "oferta secundária" ocorre a venda de ações emitidas pela companhia, mas que estão nas mãos de alguns acionistas, estes que passam a ter direito sobre o dinheiro levantado com a operação. Ainda não estão anunciados, nas vias formais, os acionistas vendedores do IPO da imobiliária.

Foram contratados para a coordenação do IPO da JFL as instituições BTG Pactual que é o coordenador-líder, o Bradesco BBI como agente estabilizador e a Genial Investimentos, segundo o documento divulgado.

Mesmo ainda não tendo um cronograma, a JFL deve assinar com a B3 um Contrato de Participação no Novo Mercado, o nível da Bolsa que exige altos padrões de governança corporativa.

Aumentando a fila de ofertas em análise na CVM, a JFL Holding protocolou uma minuta do prospecto preliminar, que traz apenas alguns detalhes sobre a operação. Sendo que as informações mais precisas serão divulgadas oportunamente, conforme a operação tramita na Comissão.

Um pouco sobre a JFL Holding

JFL Holding, também conhecida como JFL Living, é uma gestora e construtora de imóveis de luxo em àreas nobres de São Paulo. Pelo documento enviado à CVM, a empresa diz ser uma plataforma de gestão líder no chamado mercado de Multifamily.

"Propriedades Multifamily consistem em complexos de residências onde a gestão é realizada de maneira centralizada quando a maior parte das unidades pertencem a um mesmo indivíduo, empresa ou outro veículo de investimento. Dessa maneira, todos moradores são inquilinos e a gerência é feita de maneira consolidada - nesse caso, pela JFL Living", consta no documento divulgado.

Com operações iniciadas em 2005, por Jorge Paulo Lemann e Carolina Burg Terpins, a JFL já possui quatro empreendimentos prontos, sendo eles: VHouse, VO 699, JML 747 e GO 850 que juntos totalizam mais de 650 unidades de alto padrão operadas pela JFL Living.

Empreendimento VHouse, localizado no Jardim Paulistano em São Paulo. - Foto: Divulgação/JFL Living.
Empreendimento VHouse, localizado no Jardim Paulistano em São Paulo. - Foto: Divulgação/JFL Living.

Além disso, a JFL ainda está desenvolvendo mais seis empreendimentos em São Paulo, também destinados a público de alto poder aquisitivo, que farão a empresa chegar a mais de 1.700 unidades.

Tendo uma estrutura que conta com uso de tecnologias digitais, as atividades feitas pela JFL incluem desde a seleção do terreno e a incorporação do empreendimento até a decoração das unidades, a locação e a gestão do condomínio de luxo.

Também segundo o documento divulgado, hoje a JFL possui uma base superior a 118 mil ABL (Área Bruta Locável) cujo investimento total chega a R$ 2,6 bilhões.