A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, continua subindo, semana após semana e, segundo o Boletim Focus publicado nessa segunda-feira, 25 de outubro, pelo Banco Central, ela agora já está em 8,96% ao ano.

A previsão anterior, divulgada na segunda-feira passada era de 8,69% e há quatro semanas, essa previsão era de 8,45%, já bastante acima do teto estipulado inicialmente pelo Banco Central, que era de 5,25%, considerando a tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo em relação à meta que era de 3,75%.

Esse último aumento, portanto, foi de mais 0,27 ponto percentual e foi também o 29º aumento nas previsões do mercado, apenas em 2021. Saiba mais.

As extimativas dos últimos boletins divulgados, de junho para cá, foram as seguintes:

  • 07/06/2021: 5,31%
  • 14/06/2021: 5,44%
  • 21/06/2021: 5,90%
  • 28/06/2021: 5,97%
  • 05/07/2021: 6,07%
  • 12/07/2021: 6,11%
  • 19/07/2021: 6,31%
  • 26/07/2021: 6,56%
  • 02/08/2021: 6,79%
  • 09/08/2021: 6,88%
  • 16/08/2021: 7,05%
  • 23/08/2021: 7,11%
  • 30/08/2021: 7,27%
  • 06/08/2021: 7,58%
  • 13/09/2021: 8%
  • 20/09/2021: 8,35%
  • 27/09/2021: 8,45%
  • 04/10/2021: 8,51%
  • 11/10/2021: 8,59%
  • 18/10/2021: 8,69%
  • 25/10/2021: 8,96%

De janeiro a setembro, a inflação já acumula 6,90% e, nos últimos 12 meses, chega a 10,25%. Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que, em setembro, o IPCA subiu 1,16%, aciona do IPCA-15 (a prévia da inflação) de setembro que já havia registrado alta de 1,14%.

Ainda de acordo com o Boletim Focus, para 2022, a estimativa é de que o IPCA fique em 4,40% ao ano. Antes a previsão era de 4,18% e de 4,12% (nas duas últimas semanas). Para 2023 a previsão foi de 3,25% para 3,27% e para 2024 de 3% para 3,02%.

Veja o último Relatório Focus publicado pelo BC.

PIB

Por outro lado, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) vem caindo nos últimos meses. Assim, ele passou de 5,15% para 5,04% ao ano, se manteve em 5,04% durante algumas semanas e depois voltou a cair, primeiro para 5,01% e agora para 4,97%. Em 2021, chegou-se a esperar que o PIB crescesse 5,30%.

Para 2022, a expectativa de crescimento para o PIB, também vem caindo. Há oito semanas a expectativa era de 2%. Depois ela ela registrou redução passando para 1,93% e então para 1,72% e em seguida foi para 1,63%. Depois ela chegou a 1,57% e em 1,54% ao ano. Na semana passada, após nova queda ficou em 1,50% e nessa semana ela está em 1,40% ao ano.

Para 2023, anteriormente havia sido registrada uma queda de 2,50% para 2,35% ao ano e há cinco semanas ela chegou em 2,30%. Há três semanas, após uma nova queda, ela ficou em 2,20% e depois em 2,10%. Agora, ela está em 2%. Já para 2024 a previsão que estava em 2,50 há algumas semanas, caiu para 2,25% agora.

Taxa de juros

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida em 6,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), cuja última reunião foi em setembro. Nesse encontro, decidiu-se elevar a Selic em mais 1%.

Segundo o Focus, na semana passada a expetativa do mercado para a Selic até o fim de 2021 chegava aos 8,25% e nessa semana ela foi para 8,75%. Para 2022, acredita-se que ela deve subir ainda mais, chegando a 9,50% (antes as expectativas giravam em torno de 8,50% e 8,75%), voltando para os 7% em 2023 (antes era 6,50%) e caindo para 6,50% em 2024.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas podem dificultar a recuperação da economia.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. Além da taxa Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

O Boletim Focus

Divulgado semanalmente pelo Banco Central, o Boletim Focus ou Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação.

O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do BC.