Investir em ações para receber dividendos é o objetivo de muitos investidores interessados em criar uma estrutura própria de renda passiva de longo prazo, isso com a compra de ativos de boas empresas geradoras de lucro. É o famoso "viver de renda", tão disseminado atualmente.

Além disso, investir com foco em dividendos é uma boa maneira de diversificar a carteira e ter acesso a um mundo de rentabilidade maior do que muitos tipos de investimentos, como os títulos públicos.

Outra vantagem é que, neste caso, apesar de haver exposição à renda variável e sua intensa oscilação, o investimento não depende muito do desempenho das ações na bolsa, pois o objetivo mesmo é investir em ações de empresas sólidas e consistentes que tenham um rico histórico de pagamento de proventos e uma forte política de distribuição de lucro aos acionistas.

Pensando em trazer um conteúdo direcionado aos dividendos, o Poupar Dinheiro traz abaixo dicas e informações sobre como investir com foco em proventos e abaixo você verá a carteira de ações recomendadas atualmente pelo Banco de Investimentos BTG Pactual para quem quer comprar ações agora com foco em dividendos. Confira!

O que são dividendos, afinal?

Dividendos são a parte do lucro obtido pela empresa em algum período que é destinada aos acionistas, ou seja, a quem compra as ações da empresa e permanece assim posicionado. Simples assim, não é algo subjetivo e teórico; trata-se de uma repartição do lucro líquido registrado entre os acionistas.

Essa distribuição de dividendos pode acontecer mensalmente, trimestralmente, semestralmente e/ou anualmente, dependendo da política de cada empresa e da situação financeira dela em cada período.

Toda empresa listada na bolsa de valores (a B3 no caso do Brasil) é obrigada a distribuir parte de seu lucro aos acionistas em forma de dividendos. Sendo que cada empresa define o percentual mínimo obrigatório.

Por isso é importante ter em mente que, para criar uma estrutura de dividendos, é preciso comprar ações de empresas geradoras de lucros constantes, consistentes. Pois, quanto maior a geração de lucro, melhor é a remuneração aos acionistas, que pode variar entre alguns centavos a dividendos mais gordos.

Em todo caso, cada acionista recebe de maneira proporcional à quantidade de ações que possui daquela empresa. Então, se a Empresa X vai pagar R$ 0,50 de dividendos, você receberá R$ 0,50 por cada ação que tiver comprado.

Para receber dividendos, deve-se seguir os critérios estabelecidos pelo Conselho de Administração da empresa, que geralmente são divulgados após as Assembleias e as divulgações de resultados, sendo eles:

  • Data-Com: último dia em que a compra da ação garante direito aos dividendos, chamada também de "data de corte";
  • Data-Ex: é o dia a partir do qual a compra da ação não garante mais direito ao dividendo, chamada também de ex-dividendos.

Qual a diferença entre dividendos e JCP? Entenda

Você já ouviu falar em JCP ou JSCP? Bom, ambas são siglas para Juros sobre Capital Próprio, um outro tipo de remuneração feito pelas empresas a seus acionistas. A diferença entre os dois pagamentos, também chamados de proventos, é que o JCP é considerado como despesa para a empresa, enquanto os dividendos, não são. No final das contas, a companhia paga menos impostos com o JCP.

Como investir com foco em dividendos?

Para investir em dividendos, é preciso comprar ações de empresa listada na Bolsa de Valores e esperar que ela pague os dividendos (ou JCP) de tempos em tempos.

Desta forma, a parte mais complexa é exatamente a escolha das ações de empresas que demonstram ter bastante lucro. Pois, quanto mais a empresa lucra, mais ela pode remunerar seus acionistas. Então, é necessário aprender a analisar os resultados da empresa (como receita, lucro, dívidas, fluxo de caixa, gastos). Também se deve considerar se a atividade da empresa tem espaço no mercado, avaliar as concorrentes, dentre outras análises fundamentalistas.

Também é preciso ter em mente os indicadores usados pelo mercado para analisar a situação da distribuição de dividendos da empresa, como o Dividend Yield (Rendimento de dividendo, na tradução) que informa quanto a ação pagou em proventos nos últimos doze meses, em comparação com sua cotação atual. Assim, caso não haja distorções (como eventos não programados no período), quanto maior o valor do DY, maior é a probabilidade de a empresa pagar bons dividendos aos acionistas no futuro.

Outro aspecto importante é a consistência dos aportes. Oras, se vamos receber de forma proporcional à quantidade de ações que temos e se os proventos variam entre centavos e alguns reais, faz sentido comprar cada vez mais ações, sim? Aqui também pode ser feita a replicação dos proventos recebidos, para aumentar a participação do acionista nos lucros da empresa.

Carteira trimestral: 5 ações para investir agora com foco em dividendos, via BTG Pactual

Felizmente, existem diversas casas de análises de ações que mantêm carteiras públicas. Isso faz com que as pessoas, principalmente os investidores iniciantes, saibam na prática como funciona a escolha de uma ação com foco em dividendos.

O banco de investimentos BTG Pactual, por exemplo, revisa a cada três meses uma carteira de recomendação de ações para investimentos com foco em dividendos. A última revisão foi feita recentemente, então a carteira que você verá abaixo é relativa aos meses de agosto, setembro e outubro de 2021.

Em agosto, os especialistas do BTG Pactual revisaram a carteira voltada a dividendos e decidiram fazer duas alterações: a saída das empresas Engie Brasil (EGIE3) e BB Seguridade (BBSE3). Elas foram substituídas pelas companhias de energia elétrica Copel (CPLE6) e Alupar (ALUP11).

"A mudança se deve aos seguintes fatores: (i) redução de exposição a ativos estatais (BBSE) dado aumento dos ruídos políticos; (ii) aumento da exposição ao segmento de transmissão (via Alupar) e (iii) Copel divulgou, recentemente, forte prévia operacional (volumes em recuperação e perdas sob controle) além de oferecer um dividend yield superior a ENGIE mas em um segmento mais defensivo (distribuição de energia).", explica o BTG Pactual.

Na carteira desde fevereiro, a mineradora Vale (VALE3) segue sendo recomendada pelo BTG Pactual. Além disso, a carteira também é composta pelas empresas de energia Taesa (TAEE11) e ISA CTEEP (TRPL4).

Carteira trimestral de dividendos 2021 - BTG Pactual
Empresa Ação na bolsa Peso Dividend Yield esperado em 2021 (%)
Copel CPLE6 20% 10,2
ISA CTEEP TRPL4 20% 7,4
Taesa TAEE11 20% 15,4
Alupar ALUP11 20% 5,6
Vale VALE3 20% 12
Fonte: BTG Pactual - Veja o relatório na íntegra.

Taesa

A Taesa (TAEE3, TAEE4 e TAEE11), que anunciou JCP e dividendos recentemente, é um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil em termos de Receita Anual Permitida (RAP). A grande companhia elétrica registrou nos últimos anos receita líquida positiva e estável, além de manter bom patamar de pagamentos de dividendos, conforme o BTG.

Isa CTEEP

Por sua vez, a ISA CTEEP (TRPL4) é a maior empresa de transmissão de energia elétrica do Brasil. Presente em 17 estados, a companhia é responsável por quase 33% de toda a energia elétrica transmitida pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) e deve continuar pagando bons dividendos nos próximos anos, segundo o BTG.

Copel

A Companhia Paranaense de Energia, mais conhecida como Copel (CPLE6), é uma estatal fundada há mais de 66 anos. Com 45 usinas próprias e exposição a outros 16 ativos em operação, incluindo 4 parques eólicos, a companhia mantém uma rede de concessões em 98% do estado do Paraná. Em 11 de agosto, a Copel pagará mais de R$ 1 bilhão em proventos aos acionistas, entre dividendos e JCP.

Alupar

A Alupar (ALUP11) é uma holding que atua nos segmentos de transmissão e geração de energia elétrica, tendo controle de várias empresas no Brasil, Peru e na Argentina. No segmento de transmissão, a Alupar é uma das maiores em operação no Brasil em termos de Receita Anual Permitida (RAP) e é a única a ter todo o controle em mãos privadas. "Empresa é muito bem gerida e uma ótima alocadora de capital. Nossa top pick no segmento de transmissão", disse o BTG Pactual em relatório.

Vale

Apesar dos últimos acontecimentos em Brumadinho em 2019, a Vale (VALE3) mostra-se em recuperação e crescimento nos últimos meses. Nisso, a empresa tem precisado medir esforços para ações de ESG (sigla para Environmental, social and corporate governance que trata sobre a tríplice de critérios ambientais, sociais e de governança corporativa). Além disso, em 2020 e 2021 a Vale também tem criado medidas para contornar a pandemia de covid-19 - com êxito.

"Embora as ações da Vale estejam inegavelmente baratas sob qualquer métrica, acreditamos que a redução do risco da história das ações será um processo gradual baseado em três pilares: (i) retorno de caixa; (ii) uma forte recuperação dos volumes e redução dos custos futuros; e (iii) uma percepção ESG que melhora marginalmente (longo prazo)", disseram os especialistas do BTG Pactual por relatório público.