Muitos investidores, quer estejam começando ou que já possuem certa experiência no mercado de ações, gostam de saber a opinião de especialistas em economia e em investimentos antes de tomar uma decisão sobre onde aplicar o seu dinheiro.

Uma das ferramentas úteis nesse processo são as carteiras recomendadas e o BTG Pactual divulga algumas delas todos os meses, pensando em diferentes perfis de investidores. Nessa matéria, vamos trazer as 10 ações recomendadas por eles para o mês de junho, a chamada carteira 10SIM. Veja abaixo.

Objetivos da Carteira

Antes de trazer a lista dos ativos propriamente dita, precisamos esclarecer que essa carteira em específico, é uma carteira geral. O BTG também tem carteiras voltadas para Small Caps e para quem gosta de Dividendos.

Ela foi elaborada pelo time de estrategistas do Research do Banco BTG Pactual, com base em uma análise conjunta ao time de analistas, sem considerar necessariamente índices de referência ou liquidez.

Melhores perspectivas econômicas

Em sua análise o BTG considera que as perspectivas econômicas gerais melhoraram significativamente nos últimos meses devido a uma combinação de uma recuperação econômica mais rápida do que o projetado (a previsão de crescimento do PIB do BTG Pactual para 2021 é agora de 4,3%) e uma situação fiscal melhor do que a esperada (a dívida em relação ao PIB pode terminar o ano abaixo de 85%). Além disso, o real finalmente dá sinais de estabilidade, ajudado por um ambiente político com menos ruídos e pela alta da Selic.

Ações recomendadas

Então vamos às ações recomendadas. São elas:

  • Vale (VALE3)
  • Hapvida (HAPV3)
  • Gerdau (GGBR4)
  • Bradesco (BBDC4)
  • Lojas Renner (LREN3)
  • BR Distribuidora (BRDT3)
  • CCR (CCRO3)
  • Totvs (TOTS3)
  • Oi S.A. (OIBR3)
  • Eletrobras (ELET6)

Saiba um pouco mais sobre cada uma delas e veja a análise individual do BTG Pactual:

Vale (VALE3):

A Vale tem tido sucesso em abordar as principais preocupações dos acionistas nos últimos meses. Na frente operacional, a gestão tem proporcionado estabilidade operacional e crescimento. Já os ds dividendos estão bem encaminhados e há um retorno de caixa de 15%, o que é considerado relevante para 2021. Em termos de ESG, a gestão continua gradualmente reduzindo o gap e pretende tornar-se uma referência na indústria nos próximos anos.

Apesar de tudo isso, a Vale segue sendo negociada em níveis subvalorizados de 2,9 x EV/EBITDA 2021, o que é tido pelo BTG como um "desconto excessivo para pares de -30% vs. níveis justos de 15-20%, em nossa opinião".

O BTG também aponta que, apesar de os preços do minério de ferro (em US$ 200/t) parecem estar próximos dos níveis de pico, mas que ainda há uma margem de segurança relevante na ação pois "a preços spot, a Vale gera -35% de seu valor de mercado em fluxo de caixa livre, ou -3% mensalmente".

Hapvida (HAPV3):

Após o recente aumento de capital de R$ 2 bilhões, definido para trazer flexibilidade à estrutura de capital para financiar novas aquisições, a Hapvida passou a integrar o portfólio do BTG. A companhia, inclusive, tornou-se, recentemente, a nova Top Pick em saúde do banco.

Na análise do BTG, "em janeiro-fevereiro, as ações dispararam com o anúncio do acordo transformacional com o GNDI (maior fusão já realizada no Brasil), mas depois voltaram ao ponto em que estavam em março-abril. Vemos, portanto, o valuation como altamente atraente, negociando a 32x P/L ajustado de 2022, ou 22x quando incluímos parcialmente o VPL de sinergias futuras, muito próximo aos níveis do IPO da HAPV".

A carteira aponta ainda que apesar do momentum de lucros de curto prazo relativamente fraco porque a HAPV foi muito impactada pela Covid-19, o BTG segue otimista em relação a ela, pois existem três fontes de valorização ainda não precificadas: a fusão com a GNDI estimada em R$ 30 bilhões pelo BTG; sinergias de receita em razão dessa fusão e outras fusões e aquisições que são esperados após o recente follow-on da companhia.

Gerdau (GGBR4):

"Estamos mantendo a Gerdau em nosso portfólio, pois a empresa reúne uma série de qualidades que valorizamos: forte crescimento de receita, baixa alavancagem, geração de FCF e uma participação temática (setor imobiliário)", diz o relatório do BTG.

O banco diz acreditar na força estrutural dos mercados imobiliários no Brasil e que espera que a demanda por aços longos cresça. Isso acontecendo, a Gerdau está bem posicionada para continuar a repassar aumentos de preços e superar as expectativas em função do aumento de lucros, inclusive com atividades nos Estados Unidos, onde ela tem grande potencial.

Bradesco (BBDC4):

O BTG acredita que esse banco está passando por um grande programa de eficiência que dá a ele um pouco mais de controle sobre seus resultados do que alguns de seus pares, e por isso vem mantendo essa ação em seu portfólio.

Além disso, com a inflação/SELIC mais alta, o crescimento recente da carteira e as linhas rotativas ganhando cada vez mais espaço no mix de crédito, espera-se que o crescimento da NII (margem financeira) acelere a/a no 2S21. "Uma economia mais forte/mais vacinação deve permitir que as inadimplências permaneçam sob controle e o re-rating que vimos em bancos de outras regiões, como nos EUA e no México, indica que o valuation para os bancos brasileiros parece atraente", diz o relatório.

Lojas Renner (LREN3):

Com a crise do COVID-19, os resultados da Renner sofreram impacto significativo com o fechamento de lojas e menor tráfego nos shoppings no 2S20. No entanto, após o fundo do poço nos últimos trimestres, a empresa parece ter um futuro promissor.

O BTG acredita que a Renner evoluiu sua proposta multicanal nos últimos meses, que deve ser reforçada por maiores investimentos na plataforma digital em 2021 e 2022 e e ela investiu em uma abordagem mais baseada em dados para entender melhor sua base de clientes, garantindo campanhas de marketing mais eficientes. Por isso tanto os canais offline quanto online devem crescer no 2T21 na comparação com o 2T19, e a partir disso, registrar recuperação das margens após um cenário desafiador em 2020.

"No geral, ainda vemos a Renner bem posicionada para ganhar participação de mercado nos próximos anos no fragmentado segmento de vestuário brasileiro, dada (i) sua estrutura de ponta na cadeia de suprimentos; (ii) execução premium; e (iii) iniciativas omnichannel, que sustentam nossa visão positiva de longo prazo sobre o nome".

BR Distribuidora (BRDT3):

A BRDT está entrando no portfólio do BTG nesse mês e segundo o BTG isso se deu porque agora está com uma base de custos alinhada ou até melhor do que as de seus pares, o que lhe dá uma execução comercial melhorada, que deve permitir um crescimento à frente.

O BTG aponta que a companhia está sendo negociada a valuations que acommmodam os novos riscos do negócio de distribuição de combustível e que somando-se a isso, "acreditamos que deve funcionar como uma boa tese de reabertura à medida que as medidas de distância social diminuem e as estimativas de PIB são revisadas positivamente. Em resumo, uma combinação de crescimento de alta qualidade, um valuation atraente e riscos de alta para nossas estimativas".

CCR (CCRO3):

Recentemente, a CCR deu passos importantes ao conquistar os blocos Central e Sul da 6ª rodada de concessão de aeroportos e as Linhas 8 e 9 da Companhia Paulista de Trens Públicos (CPTM), que são ativos estratégicos para a empresa. Além disso, ela continua atenta aos leilões, o que deve ampliar ainda mais seus negócios.

Por esses motivos essa ação também está no portfólio do BTG. Além disso, a empresa continua se beneficiando de sólidas perspectivas da indústria de longo prazo, visto que o Brasil ainda possui um gap de infraestrutura com um pipeline de concessões consistente; e o anúncio potencial de rebalanceamento do contrato também deve remover uma velha trava para as ações da CCR.

"Vemos tudo isso combinado com níveis de valuation atraentes, já que as ações da CCR estão sendo negociadas a 6,1% de TIR real", diz o BTG.

Totvs (TOTS3):

O BTG aponta que o negócio principal da Totvs permanece resiliente, com oportunidades interessantes de venda cruzada e com uma opcionalidade na frente da TechFin. "Com a aquisição da RD Station, a empresa estabeleceu o principal pilar de sua estratégia de atuação empresarial", diz o relatório.

Além disso, segundo as informações divulgadas pela carteira, o histórico comprovado de execução da Totvs é um bom indicador, pois parece alavancar sua base de clientes e a recuperação da economia deve afetar positivamente as receitas recorrentes da empresa.

"Para quem busca uma proteção mais ativa contra o aumento da inflação, a Totvs pode ser uma excelente opção (receita ajustada pela inflação em um serviço essencial e de difícil substituição)", diz ainda o BTG.

Oi S.A. (OIBR3):

Após o anúncio dos termos da proposta do fundo de infraestrutura do BTG Pactual para comprar a empresa de infraestrutura da Oi (InfraCo) por um EV de R$ 20 bilhões, a Oi teve uma forte correção e a partir disso, o BTG acredita que mesmo em um cenário pessimista a Oi tem um potencial de valorização considerável.

"Estimamos que o valuation implícito na oferta do BTG Pactual para a InfraCo seja de 9,1x EV/EBITDA 2022E (assumindo R$ 2,2 bilhões de EBITDA para 2022E). Se assumirmos um múltiplo EV/EBITDA de 12x como justo (transações de fibra recentes implicaram valuations de 16x), a participação remanescente da Oi na InfraCo vale R$ 12,1 bilhões".

A ClientCo também é uma grande fatia do valor geral da Oi, que o BTG acredita valer de 4 a 6 vezes o EV/EBITDA 2022E, ou seja, de R$ 6 a 9 bilhões. Dessa forma, "vemos 41% de potencial de valorização para a Oi (preço-alvo de R$ 2,40). Em nosso caso base (InfraCo 12x; ClientCo 5x), o potencial de valorização é de 82% (preço-alvo de R$ 3,10)".

Nos cenários mais otimistas as ações da empresa podem chegar até a R$ 3,80, segundo o BTG.

Eletrobras (ELET6):

Essa foi outra empresa que entrou no portfólio do BTG recentemente, após a aprovação da medida provisória de privatização da empresa. A MP ainda precisa ser votada e aprovada pelo Senado até 22 de junho, quando expirará, mas o BTG segue otimista com a privatização e se isso acontecer, o BTG acredita que ela tenha um potencial de valorização muito relevante. O preço alvo seria de R$ 63/ação.

Essa são as 10 ações que o BTG PActual recomenda para o mês de junho. Se você tem interesse em ver a análise completa, basta clicar aqui.

Bons investimentos!