Como já era esperado, o Banco Central, em mais uma reunião de seu Comitê de Política Monetária (Copom), elevou a taxa Selic em 1,5 p.p. para 7,75% ao ano, subindo pela sexta vez em 2021 a taxa de juros básicos brasileiros. Trata-se do maior patamar da taxa Selic desde 2017.

Nesse cenário, muito investidores estão mudando suas estratégias de investimentos, buscando se adaptar a esses juros mais altos, o que é importante porque a subida deles impacta também na bolsa brasileira.

Segundo o estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, isso acontece de quatro formas:

  1. aumenta o custo de dívida das empresas;
  2. aumenta o custo de capital;
  3. compete por fluxos de investimentos para renda fixa; e
  4. levam à uma contração na demanda.

Por isso, segundo ele, momentos de crise como essa "exigem cautela - com controle de exposição a risco e diversificação - mas também que possamos olhar para eles pelas oportunidades que nos trazem de fazer bons investimentos a preços mais atrativos".

Ações pagadoras de dividendos ainda superam taxa de juros; saiba quais são elas

Apesar da alta na taxa Selic, de 6,25% para 7,75% ao ano, as ações conhecidas por distribuir bons e recorrentes dividendos ainda superam a taxa básica de juros.

Nesse sentido, os rendimentos de dividendos acima da taxa de juros para algumas empresas são vistos como uma boa oportunidade pois os investidores possuem uma "garantia" de retorno, além de seus possíveis ganhos com a performance da ação. Ou seja, além da possibilidade de ganho de capital, o investidor conta também com uma rentabilidade adicional na forma de proventos.

Dessa forma, a XP listou 15 ações que podem pagar um dividend yield (rendimento dos dividendos) acima de 7,75% ao ano. Confira:

15 ações com dividend yield acima de 7,75%:

Empresa Ticker Recomendação Preço-Alvo Div. Yield 2022**
CSN Mineração CMIN3 Compra 14,00 15,5%
Banco do Brasil BBAS3 Compra 52,00* 14,8%
Engie Brasil EGIE3 Neutro 49,00 11,2%
Bradesco BBDC4 Neutro 26,00* 10,6%
TAESA TAEE11 Neutro 37,00 9,8%
Porto Seguro PSSA3 Neutro 19,00* 9,6%
Copel CPLE6 Compra 7,50 9,6%
Itaú Unibanco ITUB4 Neutro 28,00* 9,4%
Santander Brasil SANB11 Venda 36,00* 9,3%
Cyrela CYRE3 Compra 33,00 9,2%
Even EVEN3 Neutro 13,00 8,8%
MRV MRVE3 Neutro 23,00 8,6%
Usiminas USIM5 Neutro 16,50 8,5%
BB Seguridade BBSE3 Compra 35,00* 8,2%
AES Brasil AESB3 Compra 16,00 8,1%

Fonte: XP Research

Saiba mais sobre cada uma delas abaixo:

CSN Mineração (CMIN3) - Compra

Setor de atuação: Mineração

Mesmo com a forte queda dos preços de minério de ferro no segundo semestre e a estabilização da commodity no patamar de US$120 por tonelada, ainda acreditamos que as ações de CSN Mineração poderão render altos dividendos aos seus acionistas. Apesar da commodity abaixo dos níveis recordes do início do ano, vemos a companhia como uma forte geradora de caixa. Mantemos nossa recomendação de Compra com base em nossa expectativa de níveis saudáveis para os preços do minério de ferro no futuro, fortes dividendos e seus projetos de expansão. Para a mineradora, estimamos um dividend yield de 15,5% em 2022.

Banco do Brasil (BBAS3) - Compra

Setor de atuação: Financeiro

O banco combina: i) preço atrativo, pela sua carteira de crédito defendida e pela soma das partes atraente; e ii) uma frente digital competitiva. Acreditamos que a distribuição de dividendos do banco deve se tornar relevante, pois o banco deve aumentar seu payout em um cenário de: i) maior capitalização; ii) recuperação de lucros; iii) Previ I com superávit de R$ 22 bilhões; e iv) um atrativo 0,6x P/VP. Estimamos um payout de 60% em 2022 e vemos um dividend yield de 14,8%. Temos recomendação de Compra para Banco do Brasil e preço-alvo de R$ 52/ação.

Engie (EGIE3) - Neutro

Setor de atuação: Geração de energia elétrica

A Engie Brasil se destaca por sua capacidade diferenciada de se proteger de efeitos hidrológicos adversos, somada a sua diversificação de portfólio com a entrada nos setores de transmissão de energia e transporte de gás. A administração da companhia tem um compromisso de payout mínimo de 55% do lucro líquido ajustado. Entretanto, a companhia tem apresentado um histórico de pagamento de dividendos superior. Apesar do cenário hidrológico de estresse em 2021 a companhia apresentou até agora um payout de 100% no ano. Com isso, estimamos um dividend yield 11,2% em 2022. Temos recomendação neutra em EGIE3 com preço-alvo de R$ 48/ação.

Bradesco (BBDC4) - Neutro

Setor de atuação: Financeiro

O banco combina: i) uma fonte diversificada de receitas, incluindo a maior seguradora do Brasil em market share; ii) a terceira maior carteira de crédito; iii) maior espaço para corte de custos do que o Itaú e Santander; e iv) sinergia entre seus negócios. Embora o banco tenha mostrado esforços em iniciativas como o banco Next, Ágora e Cielo, acreditamos que não haja claras oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com taxas de retorno altas, tornando atrativa a distribuição de dividendos. Estimamos um payout de 75% em 2022 e vemos um dividend yield atrativo de 10,6% em 2022. Temos recomendação Neutra para o Bradesco e preço-alvo de R$ 26/ação.

TAESA (TAEE11) - Neutro

Setor de atuação: Geração de energia elétrica

Vemos a posição da Taesa como confortável para manter a distribuição de 100% de payout. De acordo com o Estatuto Social da Companhia, o dividendo anual mínimo distribuído é de 50% do lucro líquido ajustado do exercício. Entretanto, a companhia tem apresentado um histórico de pagamento de dividendos bem acima da remuneração mínima que consta em seu Estatuto. Estimamos um dividend yield de 9,8% em 2022 para TAEE11. Mantemos nossa recomendação neutra em TAESA, com preço-alvo de R$ 37/unit.

Porto Seguro (PSSA3) - Neutro

Setor de atuação: Financeiro

Embora reconhecermos as qualidades da empresa: i)a alavancagem à recuperação econômica; e ii) o trabalho feito em tecnologia/despesas, esperamos que a sinistralidade deve seguir crescendo gradualmente com a retomada da atividade econômica, assim impactando seus resultados. Portanto, temos recomendação de Neutra para a Porto Seguro com preço-alvo de R$ 57/ação, no entanto vemos um dividend yield atrativo de 9,6% em 2022.

Itaú Unibanco (ITUB4) - Neutra

Setor de atuação: Financeiro

O banco combina: i) investimentos de qualidade, com boa gestão e governança que se traduzem em menor beta; e ii) um payout historicamente acima da média do setor. Acreditamos que, enquanto não haja boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com taxas de retorno altas, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa. Estimamos um payout de 80% em 2022 e vemos um dividend yield de 9,4%. Temos recomendação Neutra para Itaú e preço-alvo de R$ 28/ação.

Copel (CPLE6) - Compra

Setor de atuação: Geração de energia elétrica

De acordo com a política de dividendos da companhia as propostas de proventos regulares serão calculadas conforme os critérios: (i) alavancagem abaixo de 1,5x = 65% do Lucro Líquido Ajustado, (ii) alavancagem entre 1,5x e 2,7x = 50% do Lucro Líquido Ajustado e (iii) alavancagem acima de 2,7x = 25% do Lucro Líquido Ajustado. Com isso, estimamos um dividend yield de 9,6% em 2021-22 para CPLE6. Mantemos nossa recomendação de Compra nas ações da Copel, com um preço-alvo de R$ 7,5/ação para CPLE6 e R$ 37,50/unit para CPLE11.

Santander (SANB11) - Venda

Setor de atuação: Financeiro

Apesar de o Santander ser o banco com menor diversificação de receita entre os incumbentes, apresenta uma combinação de: i) alta exposição ao crédito de varejo; e ii) níveis de inadimplência relativamente abaixo da média. Acreditamos que, enquanto não haja boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com taxas de retorno altas, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa. Estimamos um payout de 75% em 2022 e vemos um dividend yield de 9,3%.

Cyrela (CYRE3) - Compra

Setor de atuação: Construção Civil

Depois de ter reportado dados operacionais sólidos de vendas e lançamentos no 3T21, acreditamos que a empresa pode reportar também um bom resultado financeiro no trimestre apesar das pressões de custos, especialmente em relação ao preço do aço. A Cyrela tem conseguido repassar os custos para o preço final sem perda de margem bruta e deve permanecer em níveis saudáveis no 3T21, segundo nossas estimativas. Além disso, vemos uma combinação positiva de I) valuation descontado, negociando a 1,0x P/PV em 2021; II) dividendos atrativos (9,2% de dividend yield) e potencial de crescimento interessante lembrando que a empresa já lançou R$4,5 bilhões em 9M21 R$ vs. R$ 3 bilhões em 9M20 (+53% A/A) e deve continuar nesse ritmo no 4T21.