Na última quarta-feira, 15 de junho, o Banco Central aumentou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual. E assim, o índice passou de 12,75% para 13,25% ao ano. Diante disso, como fica a rentabilidade das principais aplicações de renda fixa a partir de agora? Onde investir?

De acordo com o InvestNews, após simulações e conversas com especialistas, os investimentos pós-fixados seguem entre os mais indicados para o momento. Além disso, eles também apontam que o investidor pode começar a diversificar as suas opções a partir da compra de títulos prefixados.

Sendo assim, confira a seguir, todos os detalhes.

Alta da Selic: Pós-fixados seguem atrativos

Em suma, as aplicações em títulos pós-fixados (quando a rentabilidade acompanha a própria Selic ou o CDI) seguem entre as opções mais recomendadas por analistas, por conta da alta liquidez (facilidade de resgate do dinheiro) e segurança que proporcionam.

As principais são:

  • Certificado de Depósito Bancário (CDBs) (títulos de dívida de bancos);
  • Tesouro Direto (papéis de dívida do governo);
  • Letras de Crédito Imobiliário (LCI);
  • Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).

De acordo com Fabio Louzada, economista, analista CNPI e fundador e CEO da escola Eu me banco, recomenda buscar títulos com vencimento de até dois anos, que tenham liquidez diária e retorno perto a 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). "Esses investimentos caem bem como reserva de emergência", orienta o especialista.

Por fim, os títulos do Tesouro Direto, em especial, são ainda mais evidentes pelo menor risco de crédito. É dito isso, pois é quase nula a chance do governo dar calote.

E quanto aos prefixados?

De acordo com Vinícius Luiz Barreto, planejador financeiro pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), o cenário de ganhos altos com os pós-fixados não é eterno. "Não podemos deixar de considerar que poderão ter queda na rentabilidade no médio e longo prazos considerando a possibilidade de queda na taxa Selic".

Sendo assim, o investidor pode começar a procurar os títulos prefixados. Segundo Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil, "Eles passam a ficar interessantes nesse cenário, pois a inclinação da curva de juros futuros mostra que o mercado já está precificando uma potencial queda da taxa Selic no curto prazo em função do arrefecimento da inflação".

Com isso, Barreto diz que os títulos pré-fixados apresentam uma rentabilidade interessante. "Na última terça-feira, por exemplo, todos os títulos públicos federais prefixados estavam sendo negociados com rentabilidade acima de 13% ao ano, trazendo ao investidor uma garantia de retorno acima de 1% ao mês", explica.

Porém, Ricardo Jorge orienta ir com calma.

"Como a gente não tem certeza de quando esse movimento de alta vai acabar, o investidor pode comprar um pouco agora e esperar as próximas reuniões do Copom. Quando o cenário estiver mais claro, com a inflação controlada e o Banco Central dizendo que não vai subir mais juros, ai ele pode direcionar uma parcela maior para os prefixados".

Por fim, é importante tomar cuidado com os prefixados. De acordo com Vinícius Barreto há o risco de marcação a mercado, que é a venda do papel ao preço que o mercado estiver disposto a pagar no momento do resgate.

"Não há como acertar o ponto exato de quando teremos a estagnação ou queda na Selic. No curto prazo ela pode subir ainda, causando marcação a mercado negativa para o investidor, por isso é importante ter esse investimento com olhar para o longo prazo e acompanhado de um profissional", alertou Barreto.