O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar a Taxa Selic para 9,25% ao ano na última reunião de 2021, realizada nessa terça e quarta-feira, dias 7 e 8 de dezembro. Esse foi o sétimo aumento da taxa que iniciou o ano em 2%.

Para quem não está familiarizado, a Selic é a taxa básica de juros do pais e por isso, ela é uma referência para todos os demais juros da economia brasileira. Assim, seus ajustes podem oferecer impactos para todos nós.

Quando ela passa dos 8,5% ao ano, porém, esse impacto pode se tornar um pouco maior porque então o rendimento da poupança começa a ser calculado de uma forma diferente. Mas de uma forma geral, há duas principais formas de ela nos impactar. Veja abaixo:

  • Empréstimos e financiamentos: com a Selic mais alta, eles ficam mais caros;
  • Aplicações financeiras: vários são os investimentos que têm relação com a Selic, direta ou indiretamente.

Por que a Selic vem sendo elevada?

Antes de mais nada, porém, é importante entender por que a Selic vem sendo elevada. E a explicação é mais simples do que pode parecer num primeiro momento: quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. O lado ruim é que desse modo as taxas mais altas podem dificultar a recuperação da economia.

Por outro lado, quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. Foi exatamente isso aconteceu ao longo de 2020 quando a Selic chegou a 2% ao ano, patamar mais baixo de sua história desde o início da série histórica, em 1996.

E agora o Brasil vive um momento bem difícil. Com a instabilidade econômica que se instalou, em função da pandemia, situação que vem resultando, inclusive, em uma recessão técnica da economia como um topo, já que o PIB vem caíndo nos últimos dois trimestres, o ideal seria ter uma Selic mais baixa para estimular o consumo. Isso não é possível, porém, por nos últimos 12 meses, a inflação já acumula uma alta de 10,67%.

Dessa forma, o Copom vem elevando a Selic com o objetivo de tentar controlar essa inflação. Nesse cenário, não há como escapar, de uma forma ou de outra ela vai impactar no seu bolso. Mas você pode entender esses processos e usá-los a seu favor. Veja como.

Como a Selic impacta nos empréstimos?

Em relação aos empréstimos e financiamentos, é importante estar atento porque as taxas de juros possivelmente serão reajustadas, o que vai encarecer esse tipo de serviço. Portanto, se você tiver a possibilidade dee adiar um pedido de empréstimo, adie ou busque altenativas, compare taxas. Lembre-se esse não é o melhor momento para fazer esse tipo de negócio.

Como a Selic impacta nas aplicações financeiras?

Em relação às aplicações financeiras, há aquelas que são impactadas de forma positiva e aquelas que são impactadas de forma negativa. Veja só:

Impacto positivo:

Uma das aplicações financeiras impactadas pela alta da Selic é o Tesouro Nacional. Entre os títulos emitidos por ele, há vários que levam em consideração a Selic e isso pode ser até bom para os investidores que passarão a ter um rendimento um pouquinho maior a partir de agora.

Além disso, a própria poupança é afetada. E dessa vez, mais do que o normal, porque quando a Selic passa de 8,5%, o cálculo do rendimento começa a ser feito de uma outra maneira. Até então, o rendimento era sempre de 70% da Selic. Agora, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês sobre o valor depositado.

No caso das ações, depende:

As ações também podem ser impactadas pela Selic, ainda que indiretamente, para o bem ou para o mal. Isso porque alguns setores se beneficiam de uma Selic mais alta enquanto outros são prejudicados.

Entre os que se beneficiam estão dos bancos, por exemplo, porque o aumento da taxa de juros pode aumentar o "spread", com crescimento direto na margem financeira bruta dessas instituições financeiras.

Por outro lado, o setor de construção civil, por exemplo, tende a sofrer um impacto negativo, já que o financiamento imobiliário se torna mais caro e as pessoas, portanto, tendem a procurar menos por imóveis.

Impacto negativo:

Agora, também existem aqueles ativos que acabam sendo um pouco prejudicados pela Selic mais alta. Esse é o caso, por exemplo, dos Fundos Imobiliários.

Pelo seguinte motivo: em geral os FIIs são mais buscados por aqueles que querem ter uma segurança um pouco maior nos investimentos, mas ao mesmo tempo receber alguns proventos, ainda que mais baixo. E a maior parte dos FIIs paga esse proventos numa faixa de 6% ou 7% ao ano. Então, com uma Selic em 9,25%, investimentos como as aplicações no Tesouro Nacional se tornam mais atrativas, pois elas são muito seguras e agora estão pagando um pouquinho mais.

Mas tudo, é claro, depende do perfil de cada investidor e de seus objetivos.