Segundo dados divulgados pelo IBGE nessa quarta-feira, 10 de novembro, nos últimos 12 meses a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula uma alta de 10,67% e isso impacta em muitos aspectos da vida dos brasileiros.

A começar pela perda do poder de compra, já que os preços dos produtos, inclusive os mais básicos, está mais alto, mas o salário não acompanha essa elevação. Outro ponto que sofre grande impacto é a rentabilidade dos investimentos. Para que qualquer um deles tenha um rendimento real, é preciso que seja mais alto do que a inflação e não é o que vem acontecendo.

E isso vale muito especialmente para a poupança, que é uma das formas mais tradicionais de os brasileiros guardarem suas economias. Atrelada à Taxa Selic, que é a taxa básica de juros do país, seu retorno até vem sendo elevado de março de 2021 para cá, na medida em que a Selic passou dos 2% para os 7,75% em que está hoje. Porém, ainda assim, esse rendimento não vem sendo suficiente.

Abaixo, vamos falar um pouco mais sobre isso.

Qual o rendimendo da poupança hoje?

A poupança rende atualmente cerca de 70% da Taxa Selic + Taxa Referencial, ou seja, cerca de 0,452% ao mês /5,425% ao ano, conforme dados do Banco Central. Se nos últimos 12 meses a inflação já acumula uma alta de 10,67%, então você pode perceber que a inflação está bem mais alta do que a rentabilidade anual da poupança, não é mesmo.

Vale lembrar, porém, que quando a Selic passa de 8,5% (o que deve acontecer até o fim de 2021) o cálculo do rendimento passa a ser feito de uma outra maneira. Nesse caso, independente do valor da Selic, o rendimento passa a ser de de 0,5% ao mês sobre o valor depositado + Taxa Referencial, não subindo mais do que isso.

Também é interessante que você saiba que há algum tempo a Taxa Referencial está se mantendo em zero ou muito próxima disso, portanto o rendimento da poupança se resume aos outros fatores na maior parte do tempo.

Rentabilidade real da poupança em 12 meses

Com base nesses dados apresentados acima, é possível calcular a rentabilidade da poupança nos últimos meses, e foi o que fez a Economática. A partir desse levantamento, percebe-se que ela já completa 14 meses seguidos de perdas, mas que em outubro de 2021, quando a inflação chegou aos 10,67%, a poupança registrou a sua pior rentabilidade real em 12 meses.

A rentabilidade real é calculada descontando a inflação. Dessa forma, segundo a Economática, a caderneta teve um rendimento negativo de 7,59% nesse período. Anteriormente, apenas em outubro de 1991, foi registrada um rendimento pior do que esse, quando ele atingiu -9,72%.

A rentabilidade vem caindo da seguinte forma:

  • Out/20: - 1,40%
  • Nov/20: - 1,94%
  • Dez/20: - 2,30%
  • Jan/21: - 2,48%
  • Fev/21: - 3,21%
  • Mar/21: - 4,16%
  • Abr/21: - 4,80%
  • Mai/21: - 6,00%
  • Jun/21: - 6,26%
  • Jul/21: - 6,67%
  • Ago/21: - 7,15%
  • Set/21: - 7,46%
  • Out/21: - 7,59%

Veja no gráfico abaixo:

Créditos: Poupar Dinheiro/Banco Central/Economática
Créditos: Poupar Dinheiro/Banco Central/Economática

Com a expectativa de que a Selic ultrapasse os 8,5% ainda em 2021, essa rentabilidade pode vir a cair ainda mais. Por isso, a orientação é que as pessoas evitem deixar seu dinheiro nas contas poupança e, se desejam um rendimento, procurem outras alternativas.

Entre as opções estão os investimentos em ações, para os perfis de investidores mais arrojados. Mas também há as rendas-fixas para os mais conservadores (elas funcionam de forma muito semelhante à poupança e ainda podem ser atrelados ao IPCA ou à Selic).

Veja abaixo as principais alternativas:

  1. Ações: As ações são investimentos muito conhecidos pela renda variável. São representadas por pequenas frações de empresas de capital aberto. No momento em que um investidor compra um de seus papéis, ele se torna sócio da organização. Assim, ele aproveita os ganhos, mas ao mesmo tempo fica sujeito às perdas.
  2. Fundos imobiliários: Conhecido também como FIIs, os Fundos Imobiliários são outra alternativa. Eles funcionam com uma reunião de investidores diferentes para um objetivo em comum. No momento em que os investidores comprarem suas cotas, eles podem aproveitar os resultados do mercado imobiliário sem de fato precisar comprar imóveis. Eles costumam ser geridos por profissionais.
  3. Renda fixa: Essa é uma classe de investimentos que privilegia a previsibilidade. Sendo assim, antes de realizar a aplicação de seu dinheiro, os investidores têm a possibilidade de conhecer a maior parte de suas condições, qual será o retorno, em quanto tempo, etc. Entre os tipos de rendas fixas estão os títulos do Tesouro Direto, os CDBs e os LCIs e LCAs.
  4. Fundos de investimentos: Os fundos de investimentos são conhecidos como coringas no mercado financeiro. Eles funcionam com a captação de recursos de pessoas físicas ou jurídicas, obtendo retornos financeiros no momento em que ocorre a compra e da venda de valores e bens mobiliários, cotas de outros fundos e títulos. Se o investidor quer aplicar dinheiro nessa modalidade, ele deve adquirir cotas. Se o fundo for bem diversificado, o risco é menor.

Para saber qual o melhor tipo de investimento para você, sugerimos que você também procure conhecer o seu perfil de investidor. Isso vai te ajudar a tomar as melhores decisões.